Governo resgata 2.772 pessoas do trabalho escravo em 2025, com alta de 26,8%
Resgate de 2.772 pessoas do trabalho escravo em 2025

Governo federal resgata 2.772 pessoas do trabalho escravo em 2025, com aumento significativo

O governo federal realizou o resgate de 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão no Brasil durante o ano de 2025, conforme dados divulgados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Esse número representa uma alta de 26,8% em comparação com 2024, quando foram resgatados 2.186 trabalhadores. No entanto, o recorde histórico permanece sendo o de 6.025 resgates em 2007, o maior volume registrado nos 30 anos da série histórica.

Ações fiscais e valores envolvidos no combate ao trabalho escravo

Ao longo de 2025, a Secretaria de Inspeção do Trabalho conduziu 1.594 ações fiscais específicas de combate ao trabalho escravo contemporâneo em todo o território nacional. Essas operações resultaram no pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados. As fiscalizações alcançaram mais de 48 mil trabalhadores, garantindo direitos trabalhistas mesmo para aqueles que não estavam em condições irregulares graves.

No período, foram lavrados 4.924 autos de infração, gerando um valor estimado de R$ 41,8 milhões em multas aplicadas aos empregadores autuados. As ações foram realizadas tanto pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) quanto pelas unidades regionais do Ministério do Trabalho, abrangendo diversas regiões do país.

Mudança no perfil: trabalho escravo urbano supera o rural

Um dos principais destaques de 2025 foi a alteração no perfil das ocorrências de trabalho escravo. Pela primeira vez, o número de trabalhadores resgatados em áreas urbanas superou o do meio rural. Em 2025, 68% dos trabalhadores identificados em condição análoga à escravidão estavam em zonas urbanas, enquanto em 2024 esse percentual era de apenas 30%, evidenciando uma mudança relevante no padrão de exploração.

De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), os setores com o maior número de trabalhadores resgatados em 2025 foram:

  • Obras de alvenaria, com 601 resgatados
  • Administração pública em geral, com 304 resgatados
  • Construção de edifícios, com 186 resgatados
  • Cultivo de café, com 184 resgatados
  • Extração e beneficiamento de pedras e outros materiais para construção, com 126 resgatados

Segundo a SIT, o trabalho escravo contemporâneo não se restringe a um setor específico e pode ser encontrado em atividades como agricultura, mineração ilegal, indústria têxtil, desmatamento e trabalho doméstico.

Crescimento nas ações de fiscalização do trabalho doméstico

No âmbito do trabalho doméstico, as ações de fiscalização tiveram um crescimento expressivo em 2025. Foram realizadas 122 ações fiscais, resultando no resgate de 34 trabalhadores, frente a 22 ações e 19 resgates registrados em 2024. A secretaria informou que pretende ampliar a atuação nesse setor e construir uma agenda específica voltada às trabalhadoras domésticas, especialmente mulheres, que enfrentam condições de vulnerabilidade.

Estados com maior número de fiscalizações e resgates

Entre os estados com maior número de fiscalizações em 2025, destacam-se:

  1. São Paulo, com 215 ações
  2. Minas Gerais, com 145 ações
  3. Rio de Janeiro, com 123 ações
  4. Rio Grande do Sul, com 112 ações
  5. Goiás, com 102 ações

Já em número de trabalhadores resgatados, os estados líderes são:

  1. Mato Grosso, com 607 pessoas resgatadas
  2. Bahia, com 482 pessoas resgatadas
  3. Minas Gerais, com 393 pessoas resgatadas
  4. São Paulo, com 276 pessoas resgatadas
  5. Paraíba, com 253 pessoas resgatadas

Perfil social dos trabalhadores resgatados em 2025

Dados do Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado revelam o perfil social das vítimas resgatadas em 2025:

  • 86% eram homens
  • A faixa etária mais frequente foi de 30 a 39 anos, concentrando 26% dos casos
  • 65% residiam na região Nordeste
  • No recorte racial, 83% se autodeclararam pretos ou pardos, 12% brancos e 5% indígenas
  • Em relação à escolaridade, 24% informaram ter concluído o ensino médio, enquanto 8% eram analfabetos

Principais irregularidades encontradas nas fiscalizações

As infrações mais recorrentes identificadas durante as ações de fiscalização incluem:

  • Trabalho em condições degradantes, com 274 registros
  • Falta de registro formal, com 149 ocorrências
  • Ambiente de trabalho inseguro, com 141 infrações
  • Descumprimento de exames médicos, em 118 casos
  • Ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), com 107 autos de infração
  • Omissão de comunicação ao governo, em 94 ocorrências

Contexto histórico e assistência aos trabalhadores resgatados

O ano de 2025 marcou os 30 anos do reconhecimento oficial da existência de trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Desde então, mais de 65 mil trabalhadores foram resgatados, e R$ 157 milhões foram pagos em verbas rescisórias desde 2003.

Todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas no valor de um salário mínimo, além de ser encaminhado à rede de assistência social. A erradicação do trabalho escravo no Brasil depende de uma ação ampla e articulada do Estado, em parceria com a sociedade civil.

Em 2025, o Brasil registrou o maior número de denúncias de trabalho escravo da série histórica, com 4.515 registros, incluindo casos de trabalho escravo infantil e adultos submetidos a condições degradantes. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Sistema Ipê, disponível na internet.