Policial penal toma posse após 3 anos de luta contra exclusão por gravidez em curso
Policial penal toma posse após exclusão por gravidez em curso

Mulher barrada no curso de formação por gravidez conquista vaga após três anos de persistência

A trajetória da policial penal Thainá Santos, de 28 anos, é um exemplo marcante de resiliência e determinação. Após ser desligada do curso de formação da Polícia Penal de Roraima por estar grávida, ela enfrentou uma longa batalha jurídica e emocional que durou três anos até finalmente tomar posse no cargo.

Exclusão durante a gestação e início da luta

Thainá foi aprovada no concurso da Polícia Penal em 2020 e iniciou o curso de formação prática. No entanto, quando estava no sétimo mês de gestação, recebeu a notícia de que seria desligada do processo por uma decisão administrativa da Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima (Sejuc).

A exclusão ocorreu mesmo com a apresentação de atestados médicos que comprovavam a saúde da mãe e do bebê. A partir desse momento, começou uma jornada de incertezas e desafios para garantir seu direito de concluir as etapas e assumir a vaga.

Intervenção do Ministério Público e retorno ao curso

O retorno ao curso só se tornou possível em 2023, após a intervenção da Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher, do Ministério Público de Roraima. O órgão destacou que a eliminação de gestantes fere a Constituição Federal e as leis de proteção à mulher no mercado de trabalho.

Com o acordo firmado entre o MP de Roraima e a Sejuc, Thainá concluiu sozinha as etapas práticas que faltavam, incluindo aulas de tiro e defesa pessoal, quando seu filho já estava com 9 meses de idade.

Reflexões sobre discriminação e adaptações necessárias

"Acredito que deveria haver adaptação para não prejudicar as mulheres. Um homem não seria desligado por ser pai, e eu fui desligada por ser mãe", refletiu Thainá, destacando a desigualdade de tratamento que enfrentou.

A policial relembrou os momentos difíceis: "Foram noites de choro e desespero. Mas deu certo. Hoje, só quero trabalhar, dar o meu melhor e agradecer a Deus".

Preparação contínua e nova conquista

Durante os três anos de espera, Thainá não ficou parada. Ela continuou estudando intensamente e foi aprovada no concurso da Guarda Civil Municipal de Boa Vista. Recentemente convocada para assumir essa vaga, optou por permanecer na Polícia Penal, por se tratar de um cargo estadual.

Até a posse definitiva, que ocorreu na última quarta-feira (4), foram oito anos dedicados aos estudos para concursos públicos, demonstrando seu comprometimento com a carreira na segurança pública.

Integração ao quadro de servidores e impacto na segurança

Thainá agora faz parte de um grupo de 74 novos policiais penais empossados em Roraima. Com esse reforço, o quadro efetivo da segurança prisional do estado passa a contar com 877 servidores, fortalecendo a estrutura do sistema carcerário local.

Sua história se tornou um símbolo de superação e um alerta sobre a necessidade de políticas mais inclusivas nos processos de formação de profissionais da segurança pública, especialmente quando envolvem questões de gênero e maternidade.