Presidente da Câmara rejeita tramitação atropelada da PEC que reduz jornada de trabalho
Motta rejeita tramitação atropelada da PEC da jornada reduzida

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, declarou nesta terça-feira, 17 de setembro, que não permitirá uma discussão "atropelada" da Proposta de Emendas à Constituição que busca reduzir a jornada de trabalho no Brasil. As afirmações foram feitas durante um almoço da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, realizado em Brasília, onde Motta enfatizou a necessidade de um processo legislativo cuidadoso e negociado.

Defesa da tramitação via PEC

Motta destacou que a tramitação do texto deve ocorrer por meio de uma PEC, e não através de um projeto de lei comum, como inicialmente defendido pelo governo federal. Segundo o parlamentar, essa escolha obriga todos os setores envolvidos a negociarem de forma mais intensa, buscando convergências. "Isso obriga a todos os interessados a terem a capacidade de encontrarem uma maior convergência para o tema. Se isso não for conseguido, dificilmente a proposta será aprovada", afirmou o presidente da Câmara.

Preocupação com impactos econômicos

O presidente da Câmara ressaltou que, embora a classe trabalhadora tenha uma vontade "legítima" de discutir a redução da jornada, é fundamental que o governo e o setor produtivo compreendam como absorver essa demanda sem prejudicar a economia. "Por mais que estejamos em ano de eleição, não vamos conduzir esse debate de maneira atropelada, de maneira descompromissada, sem medir as consequências", declarou Motta.

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Ele acrescentou que um efeito negativo na economia seria prejudicial para todos, especialmente para o governo que está à frente do Executivo no momento. A abordagem cautelosa visa garantir que as decisões tomadas não gerem impactos adversos no mercado de trabalho e na produtividade nacional.

Origem da proposta

A iniciativa partiu da deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, e nasceu de uma mobilização do Movimento Vida Além do Trabalho. O movimento ganhou força nas redes sociais e conseguiu reunir impressionantes 1,5 milhão de assinaturas em um abaixo-assinado que pede à Câmara dos Deputados a revisão da escala 6x1, atualmente adotada em diversos setores.

Detalhes da PEC

A Proposta de Emenda à Constituição, enviada para a Comissão de Constituição e Justiça em fevereiro, pretende alterar um trecho da Constituição Federal que trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Conforme o texto apresentado por Erika Hilton, a jornada de trabalho normal não poderá ser superior a oito horas diárias, não ultrapassará 36 horas semanais e será de quatro dias por semana.

As mudanças propostas, se aprovadas, entrariam em vigor somente após 360 dias da eventual promulgação da PEC, dando um período de adaptação para empresas e trabalhadores. Hugo Motta já havia declarado anteriormente que o debate sobre o fim da escala 6x1 será uma das prioridades do ano legislativo de 2026, demonstrando que o tema continuará em pauta nos próximos anos.

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