Justiça impõe obrigações trabalhistas à Rock in Rio após flagrante de trabalho análogo ao escravo
Justiça impõe obrigações à Rock in Rio após trabalho análogo ao escravo

Justiça do Trabalho determina medidas urgentes para Rock in Rio após flagrante de trabalho análogo ao escravo

Em uma decisão de caráter urgente, a Justiça do Trabalho ordenou que a Rock World SA, empresa responsável pela organização do festival Rock in Rio, cumpra imediatamente uma série de obrigações trabalhistas para a próxima edição do evento, marcada para 2026. A medida decorre de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), após fiscalizações que constataram graves irregularidades na edição de 2024 do festival.

Obrigações impostas pela Justiça

A decisão judicial, divulgada nesta quarta-feira (11) pelo MPT-RJ, estabelece que a Rock World SA deve adotar as seguintes medidas em todas as futuras edições do Rock in Rio:

  • Exigir a comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) de todos os trabalhadores terceirizados antes do credenciamento para o evento.
  • Implementar um sistema eficaz de controle de jornada, impedindo que os funcionários ultrapassem os limites legais de horas trabalhadas.
  • Providenciar vestiários separados por sexo, refeitórios adequados, alojamentos em condições dignas, alimentação de qualidade e acesso a água potável.
  • Elaborar e colocar em prática um Programa de Gerenciamento de Riscos para garantir a segurança no ambiente de trabalho.
  • Fornecer gratuitamente equipamentos de proteção individual apropriados e fiscalizar rigorosamente o seu uso pelos trabalhadores.

Em caso de descumprimento dessas obrigações, foi estabelecida uma multa diária de R$ 50 mil por cada item não atendido, além de penalidades adicionais por cada trabalhador prejudicado. O MPT-RJ ressaltou que as mesmas determinações se aplicam à FBC Backstage Eventos Ltda, empresa contratada que submeteu os trabalhadores a condições análogas às de escravo no Rock in Rio 2024, considerada solidariamente responsável pelas obrigações.

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Condições degradantes constatadas em 2024

Em 2024, uma força-tarefa do MPT-RJ resgatou 14 trabalhadores que estavam submetidos a condições análogas às de escravo durante o Rock in Rio. A inspeção revelou situações alarmantes, incluindo jornadas exaustivas de até 21 horas consecutivas e ambientes de trabalho degradantes. O relatório oficial, que inclui fotografias da fiscalização, mostrou que os funcionários pernoitavam sobre papelões e sacos plásticos no local de trabalho, faziam refeições no chão próximo a lixeiras e consumiam alimentos de péssima qualidade, muitas vezes já azedos.

Além disso, foi verificada a precariedade das instalações sanitárias e a falta de vestiários adequados, com uso indistinto por homens e mulheres, violando normas básicas de dignidade e segurança. O MPT-RJ busca não apenas evitar a repetição dessas violações em 2026, mas também requer que as empresas sejam condenadas ao pagamento de indenizações por danos morais individuais e coletivos às vítimas, pleitos que ainda aguardam apreciação judicial.

Posicionamento da Rock World

Na época das denúncias, a Rock World SA emitiu uma nota repudiando qualquer forma de trabalho que não respeite as normas legais e destacou seu compromisso em orientar todas as empresas terceirizadas e fornecedoras a seguirem os processos de contratação adequados. A empresa também enfatizou que, ao longo de suas 24 edições, o festival gerou aproximadamente 300 mil empregos diretos e indiretos e beneficiou milhares de pessoas por meio de projetos sociais apoiados pelo evento.

Esta decisão judicial marca um passo significativo na luta contra práticas laborais ilegais em grandes eventos, reforçando a importância da fiscalização e do cumprimento das leis trabalhistas para proteger os direitos fundamentais dos trabalhadores no Brasil.

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