Empresa de transporte em Pilar do Sul é investigada por assédio e condições precárias de trabalho
Empresa de transporte investigada por assédio em Pilar do Sul

Empresa de transporte em Pilar do Sul enfrenta investigação por assédio e irregularidades trabalhistas

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar o proprietário da Viação Estevam, empresa responsável pelo transporte público em Pilar do Sul, no interior paulista. A ação foi motivada por denúncias de seis mulheres que alegam terem sofrido assédio sexual e moral no ambiente de trabalho. As ex-funcionárias, que atuavam como agentes de bordo no transporte escolar, relataram situações constrangedoras, incluindo propostas indecentes e perseguição.

Denúncias detalhadas de assédio e condições precárias

Uma das vítimas, que prefere manter o anonimato, afirmou que o dono da empresa enviou mensagens oferecendo dinheiro em troca de encontros sexuais. "Ele insistiu muitas vezes e, quando viu que não conseguia nada, passou a sobrecarregar-me com tarefas fora da minha função", desabafou. As mulheres também denunciaram jornadas exaustivas de até 13 horas diárias, sem intervalos adequados para refeições ou descanso, além da não concessão de vale-alimentação e horas extras não remuneradas, conforme previsto em contrato CLT.

Outra ex-funcionária relatou que o proprietário fazia comentários desrespeitosos sobre relacionamentos, referindo-se a alianças de compromisso como "forca". Ela ainda sofreu perseguição, com indivíduos ligados à empresa invadindo seu quintal e causando perturbação, o que a levou a se ausentar de casa por medo. As vítimas afirmam que o clima de medo era intenso, com orientações para não conversarem entre si durante o expediente, impedindo a solidariedade e o compartilhamento de experiências.

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Interdição e retorno controverso da empresa

Em 12 de fevereiro, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) interditou a Viação Estevam após uma operação que identificou condições precárias de trabalho, incluindo maus-tratos e riscos de acidentes graves. No entanto, a empresa retornou às operações uma semana depois, em 19 de fevereiro, após obter uma liminar judicial. O recurso foi baseado na alegação de que o MTE anexou uma foto gerada por inteligência artificial nos autos do processo, mostrando um bode e uma cabrita dentro de um ônibus, o que foi considerado "situação vexatória" pelo auditor-chefe.

O juiz Paulo Eduardo Belotti deferiu a tutela de urgência, permitindo que a empresa reassumisse o transporte público na cidade. Essa decisão gerou protestos das ex-funcionárias, que continuam a se manifestar em uma praça local, exigindo segurança para os estudantes e reparação moral. Elas destacam que os ônibus operam com falhas, como portas destravadas e falta de cintos de segurança, colocando em risco a população.

Investigações em andamento e respostas das autoridades

As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), que solicitou esclarecimentos à Prefeitura de Pilar do Sul sobre a frota, laudos de vistoria e medidas contratuais. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as investigações estão a cargo da delegacia de Pilar do Sul, com equipes capacitadas para atender casos de violência contra a mulher. O MTE afirmou que a operação foi concluída em fevereiro, com as medidas administrativas cabíveis.

As ex-funcionárias, que ficaram sem respaldo financeiro após demissões e recontratações, buscaram apoio do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba. Elas enfatizam que a principal preocupação é a segurança dos munícipes, além do reconhecimento de seus direitos trabalhistas. "Nós merecemos ser reconhecidas como trabalhadoras", pontuaram. A reportagem tentou contato com a Viação Estevam, o MPSP e a prefeitura, mas não obteve resposta até o momento.

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