Secretário de Defesa dos EUA cita passagem bíblica falsa de 'Pulp Fiction' em culto
Hegseth cita 'Pulp Fiction' como Bíblia em culto do Pentágono

Gafe em culto do Pentágono: Hegseth confunde filme de Tarantino com texto sagrado

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, protagonizou um momento constrangedor durante um culto realizado no Pentágono na última quarta-feira, 15 de abril de 2026. Em vez de recitar uma passagem genuína das Escrituras, o alto funcionário do governo norte-americano entoou um monólogo fictício do icônico filme "Pulp Fiction", dirigido por Quentin Tarantino em 1994, apresentando-o como se fosse um trecho bíblico autêntico.

O erro histórico em meio a tensões geopolíticas

O episódio ocorre em um contexto de crescente tensão política entre o presidente Donald Trump e o Papa Leão XIV, especialmente após declarações agressivas do mandatário norte-americano sobre o Irã. Hegseth, ao iniciar sua participação no culto, afirmou ter recebido a "oração" de um militar em missão no conflito iraniano, referindo-se a ela como "CSAR 25:17", numa suposta alusão ao livro de Ezequiel, capítulo 25, versículo 17.

No entanto, o texto proferido pelo secretário de Defesa foi uma adaptação quase idêntica ao discurso do personagem Jules Winnfield, interpretado por Samuel L. Jackson no filme, recitado momentos antes de cometer um assassinato na trama. A versão de Hegseth substituiu termos como "homem justo" por "aviador abatido" e "caridade" por "camaradagem", mas manteve a estrutura e o tom dramático da cena cinematográfica.

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Comparação entre ficção e realidade bíblica

Enquanto o secretário de Defesa declarou: "O caminho do aviador abatido está cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e pela tirania dos homens maus...", o verdadeiro versículo de Ezequiel 25:17 é consideravelmente mais conciso: "E executarei grande vingança sobre eles, com repreensões furiosas; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu exercer minha vingança sobre eles".

A confusão entre arte cinematográfica e texto religioso ganhou dimensões ainda maiores considerando o momento político delicado. No mesmo período, Trump havia ameaçado baixar o "inferno" sobre o Irã caso seus líderes não abrissem o Estreito de Ormuz, ao que o Pontífice respondeu afirmando que "Deus não abençoa nenhum conflito".

Repercussão e contexto adicional

O incidente com Hegseth não foi o único episódio controverso envolvendo a administração Trump e questões religiosas recentemente. O presidente havia publicado brevemente na Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial que o mostrava com características divinas, simulando Jesus Cristo curando um enfermo. A publicação foi rapidamente removida após críticas de apoiadores cristãos proeminentes, incluindo a comentarista conservadora Riley Gaines, que expressou perplexidade com a decisão.

Na terça-feira anterior ao culto do Pentágono, Trump havia declarado que o Papa "não entende" a ameaça nuclear representada pelo Irã e que não deveria opinar sobre o conflito no Oriente Médio. Este ambiente de confronto retórico entre a Casa Branca e o Vaticano serve como pano de fundo para a gafe do secretário de Defesa, que inadvertidamente misturou cultura pop com cerimônia religiosa oficial.

A situação revela não apenas um desconhecimento bíblico por parte de um dos principais membros do governo norte-americano, mas também ilustra como referências culturais contemporâneas podem se infiltrar em contextos formais e solenes de maneira inesperada. O episódio permanece como um exemplo peculiar de como a linha entre ficção e realidade pode se tornar tênue mesmo nos mais altos escalões do poder político e militar.

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