Presidente Lula faz pronunciamento em cadeia nacional pelo Dia Internacional da Mulher
O governo federal exibiu na noite deste sábado (7) um pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cadeia nacional de rádio e televisão sobre o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. O discurso, que durou aproximadamente seis minutos, teve como foco principal a segurança pública e o combate à violência contra as mulheres.
Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e ações de segurança
Em seu pronunciamento, Lula destacou o lançamento do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, realizado na semana passada, como uma das principais iniciativas do governo. "Para começar, um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos dos estados, para prender mais de 2.000 agressores de mulheres que não podem e não vão continuar em liberdade", afirmou o presidente, acrescentando que outras operações virão.
O petista também enfatizou medidas como o rastreamento eletrônico de agressores de mulheres e a criação do Centro Integrado da Segurança Pública, que unificará dados e fará monitoramento. "A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido", declarou Lula durante o discurso.
Relacionando pautas do governo à agenda feminina
O presidente aproveitou o pronunciamento para atrelar à pauta feminina algumas bandeiras de seu governo que ainda carecem de aprovação no Congresso Nacional. Lula destacou que as mulheres brasileiras frequentemente enfrentam jornada dupla, dividindo-se entre trabalho e cuidados domésticos, e cobrou o fim da escala 6x1.
"Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira", afirmou o presidente, relacionando a mudança na escala de trabalho à melhoria da qualidade de vida das mulheres.
Outro ponto destacado foi o combate ao vício em apostas, que Lula caracterizou como um drama que atinge os lares brasileiros. "Embora a maioria dos viciados sejam homens, a conta recai sobre as mulheres. É o dinheiro da comida, do aluguel, da escola das crianças que desaparece na tela do celular", declarou.
O presidente afirmou que o governo trabalhará junto ao Congresso e ao Judiciário para enfrentar o problema: "Não faz sentido permitir que os jogos do tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular", disse Lula, acrescentando que cassinos digitais não podem continuar "endividando famílias e destruindo lares".
Contexto político e avaliação do governo
O eleitorado feminino é considerado crucial para a vitória de Lula em 2022, segundo pesquisas eleitorais. Um levantamento Datafolha divulgado neste sábado mostra que o governo do petista é mais bem avaliado entre as mulheres do que entre os homens.
- Entre os homens: 28% avaliam positivamente, 43% negativamente
- Entre as mulheres: 30% avaliam positivamente, 38% negativamente
Apesar dessa avaliação relativamente melhor entre o público feminino, Lula acumula declarações consideradas machistas durante seu terceiro mandato presidencial. Em abril de 2025, chamou a presidente do FMI, Kristalina Georgieva, de "mulherzinha". No mês anterior, referiu-se à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, como uma "mulher bonita" em sua articulação política.
Em julho de 2024, ao condenar a violência doméstica, Lula mencionou que esse tipo de crime tende a aumentar após jogos de futebol, em declaração que foi criticada pela então ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.
Implementação do pacto e desafios futuros
O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio foi lançado oficialmente na quarta-feira (4) deste mês. Durante o evento de lançamento, o presidente afirmou que "pela primeira vez, os homens estão assumindo a responsabilidade de que a luta pela defesa da mulher não é só da mulher. É do agressor, que é o homem".
No entanto, os detalhes específicos e as ações práticas para implementar os objetivos do pacto ainda não foram completamente apresentados pelo governo, deixando em aberto questões sobre como as medidas anunciadas serão efetivamente colocadas em prática.
O pronunciamento de Lula também mencionou ações de governos anteriores, como a criação da Lei Maria da Penha e do Disque 180, além de iniciativas do atual mandato, como a lei da igualdade salarial para mulheres e homens que exercem a mesma função.



