Câmara dos Deputados aprova auxílio emergencial para atingidos pelas chuvas em Minas Gerais
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira, 5 de março, um projeto de lei que estabelece um auxílio emergencial no valor de R$ 600 para os residentes das cidades da Zona da Mata mineira que foram severamente afetadas pelas fortes chuvas. O texto segue agora para análise e votação no Senado Federal, com urgência devido à gravidade da situação humanitária na região.
Catástrofe climática deixa rastro de destruição e mortes
As precipitações intensas, que começaram no dia 23 de fevereiro, causaram estragos significativos principalmente nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, localizadas no estado de Minas Gerais. Até o momento, as autoridades confirmaram um trágico saldo de 72 mortes em decorrência dos deslizamentos de terra e enxurradas que assolaram a região.
Em Juiz de Fora, aproximadamente 8.500 pessoas se encontram em situação de desabrigo ou desalojamento, tendo perdido suas moradias e pertences pessoais durante a catástrofe ambiental. Dezenas de indivíduos ainda permanecem desaparecidos, enquanto as equipes de resgate continuam os trabalhos de busca nas áreas mais afetadas.
Os deputados federais Aécio Neves e Paulo Abi-Ackel, ambos do PSDB de Minas Gerais e autores da proposta legislativa, destacaram a dimensão da tragédia. "Dezenas de pessoas continuam desaparecidas e o número de desabrigados e desalojados é alto, com famílias perdendo casas e pertences em enxurradas e desabamentos", afirmaram os parlamentares em nota conjunta.
Detalhes do auxílio emergencial aprovado pela Câmara
O projeto de lei estabelece que o auxílio financeiro no valor de R$ 600 será pago mensalmente durante um período de seis meses aos moradores das cidades da Zona da Mata mineira que perderam suas residências devido às chuvas. É permitido o acúmulo do benefício, com limite máximo de dois membros por família.
Condições específicas para recebimento do auxílio:
- Somente maiores de 18 anos terão direito ao benefício, exceto no caso de mães adolescentes que sejam responsáveis por suas famílias.
- É necessário comprovar a perda da moradia em decorrência direta da catástrofe ambiental ocorrida na região.
- A pessoa provedora de família monoparental receberá duas cotas do auxílio emergencial, independentemente do sexo do responsável.
O pagamento será realizado através de uma poupança social digital, que será aberta automaticamente em nome dos beneficiários. Esta modalidade de conta apresenta características especiais:
- Dispensa da apresentação de documentos físicos para abertura.
- Isenção total de cobrança de tarifas de manutenção, conforme regulamentação específica do Conselho Monetário Nacional.
- Não permite a emissão de cheques ou ordens de pagamento para movimentação dos recursos.
Medidas complementares de proteção social
A proposta legislativa também autoriza o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a antecipar o valor correspondente a um salário-mínimo mensal para os requerentes do benefício de auxílio-doença durante o período de seis meses. Esta medida busca acelerar o acesso a recursos financeiros vitais para as famílias que enfrentam dificuldades temporárias de trabalho devido às consequências das chuvas.
O relator do projeto, deputado Lafayette de Andrada do Republicanos de Minas Gerais, defendeu a importância da medida. "Ao propor um auxílio emergencial de R$ 600,00 para as famílias desabrigadas, ao garantir condições especiais para as famílias monoparentais, ao proteger o auxílio de descontos indevidos por instituições financeiras, e ao acelerar a concessão de benefícios vitais como o BPC e o auxílio-doença, estamos não apenas oferecendo um paliativo, mas sim restituindo parte da dignidade e da esperança a milhares de cidadãos", declarou o parlamentar durante a sessão de votação.
Agora, o projeto segue para o Senado Federal, onde será submetido a nova análise antes de poder ser sancionado e implementado como política pública de assistência às vítimas das chuvas na Zona da Mata mineira.



