Novo secretário nacional de Segurança Pública defende prisão com justiça e rejeita falsa dicotomia
Chico Lucas, o novo secretário nacional de Segurança Pública nomeado no final de janeiro, assumiu o cargo após projetar-se nacionalmente devido aos resultados positivos alcançados no Piauí. Durante a gestão de Wellignton César Lima e Silva, Lucas foi promovido ao Ministério da Justiça, substituindo o ex-procurador de São Paulo Mário Sarrubo.
Em entrevista exclusiva, o secretário, filiado ao PT e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou categoricamente que não há contradição entre defender direitos humanos e implementar políticas de segurança pública robustas. "Entendemos que o bandido precisa ser preso. Diferente da direita, que defende que ele tem que ser morto. O Estado não pode matar, o Estado tem que prender. E essa prisão se dá com investigação, com elucidação, com processo e julgamentos justos", declarou Lucas.
Redução expressiva de indicadores criminais no Piauí
Os números do Piauí sob a gestão de Chico Lucas são impressionantes e serviram como trampolim para sua ascensão ao cargo federal. De 2022 até o momento atual, o estado registrou uma redução de 34% na taxa de homicídios e uma queda ainda mais significativa de 44% nos latrocínios.
Programas inovadores implementados no Piauí, como o "Meu Celular de Volta", foram tão bem-sucedidos que serviram de modelo para a iniciativa "Celular Seguro", posteriormente replicada em escala nacional. Essa abordagem prática e eficiente foi descrita pelo próprio secretário como um "arroz com feijão bem-feito" nas políticas de segurança.
Estratégias que combinaram força e inteligência
Questionado sobre como alcançou reduções tão expressivas em crimes dolosos contra a vida e mortes de policiais, Lucas explicou: "Os crimes dolosos contra a vida têm que ser enfrentados com força, mas, principalmente, com inteligência".
Entre as medidas implementadas destacam-se:
- Criação de um monitoramento constante de homicídios para instaurar inquéritos de forma ágil
- Busca ativa pela resolução e elucidação dos crimes, com definição precisa da autoria e materialidade
- Forte integração entre Poder Judiciário e Ministério Público
- Aumento significativo no índice de esclarecimento de crimes
Resultado dessa abordagem: "Aumentamos o número de prisões, reduzimos os de homicídios e de letalidade policial", afirmou o secretário. Em 2025, o Piauí registrou apenas 20 mortes por intervenção de agentes do estado, a segunda menor taxa do país, atrás apenas do Distrito Federal.
Combate ao crime organizado com estratégia dupla
Sobre o controle do avanço das facções criminosas nos territórios, Lucas detalhou uma estratégia em duas frentes:
- Descapitalização: Operação Carbono Oculto 86, desdobramento de modelo nacional exitoso, que identificou e desarticulou uma rede de mais de 40 postos de combustíveis usados para lavagem de dinheiro.
- Responsabilização da base: Processamento célere de inquéritos contra indivíduos que cometem crimes violentos, especialmente aqueles que exercem poder através do medo sobre as populações.
"Não tem como enfrentar o crime organizado se não for com várias ações coordenadas", ressaltou o secretário, enfatizando a necessidade de abordagem multifacetada.
Encarceramento seletivo e desafios do sistema prisional
Diante dos dados que mostram quase 300.000 mandados de prisão em aberto no Brasil e um sistema carcerário superlotado, Lucas defendeu uma abordagem diferenciada: "Temos que saber a diferença entre os presos".
Segundo sua visão, enquanto a maioria dos infratores comete crimes de menor potencial ofensivo e pode ser beneficiada por instrumentos de ressocialização e penas alternativas, uma pequena parcela de indivíduos com alto potencial lesivo exige resposta estatal mais dura através do encarceramento.
"Eles não são a maioria, mas com certeza são os que impactam negativamente a percepção de segurança da sociedade", concluiu o secretário, destacando que essa questão está sendo tratada a nível federal pelo Ministério da Justiça e pelo Senapem.
A posição de Chico Lucas representa uma visão distintiva na política de segurança brasileira, que busca equilibrar eficiência no combate ao crime com respeito aos princípios constitucionais e direitos fundamentais.



