Coronel absolvido em massacre do PCC assume como número dois da Segurança Pública de SP
Coronel absolvido em massacre assume como número dois da Segurança em SP

Coronel absolvido em caso de massacre assume cargo de alto escalão na Segurança Pública de São Paulo

O coronel da Polícia Militar de São Paulo, Henguel Ricardo Pereira, está prestes a assumir uma das posições mais estratégicas do estado. Na próxima segunda-feira, dia 2, ele se tornará o novo secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, ocupando o segundo escalão da pasta.

Nesta função, Pereira auxiliará diretamente o titular da secretaria, Osvaldo Nico Gonçalves, que foi nomeado em dezembro do ano passado. A nomeação representa uma mudança significativa na estrutura de comando da segurança paulista, trazendo um oficial com extensa experiência em operações de emergência e resgate.

Trajetória profissional e atuação em grandes emergências

Desde 2022, Henguel Ricardo Pereira atuava como coordenador da Defesa Civil do estado de São Paulo, acumulando também o cargo de secretário-chefe da Casa Militar paulista. Sua nomeação para essas funções ocorreu durante a gestão do então governador Rodrigo Garcia, que não possuía filiação partidária na época.

A carreira do coronel é marcada por participações em algumas das maiores operações de resgate e emergência do país. Entre seus feitos mais notáveis estão:

  • A atuação durante a queda do voo 3054 da TAM em 2007, tragédia que resultou na morte de 199 pessoas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
  • A coordenação de respostas ao incêndio que atingiu o Memorial da América Latina em 2013, importante centro cultural da capital paulista.
  • A liderança nas operações de socorro durante as chuvas devastadoras que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, um dos maiores desastres naturais recentes do país.

Além disso, Pereira coordenou o envio de equipes especializadas de São Paulo para a Turquia em 2023, onde auxiliaram nas operações de resgate após um terremoto de grande magnitude que assolou o país.

Passado controverso: a Operação Castelinho e a absolvição

A nomeação de Pereira para o alto cargo na segurança pública traz à tona um capítulo controverso de sua trajetória. O coronel foi um dos policiais militares investigados pelo massacre conhecido como Operação Castelinho, ocorrido em 5 de março de 2002 na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo.

Durante a operação, doze pessoas foram executadas em um cerco realizado pela Polícia Militar. Segundo as autoridades da época, todas as vítimas seriam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e estariam planejando o assalto a um avião de transporte de dinheiro no aeroporto municipal de Sorocaba.

Em dezembro de 2003, o Ministério Público de São Paulo denunciou formalmente Henguel Ricardo Pereira e outros 52 policiais militares, além de dois detentos, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado. As acusações incluíam motivo fútil, meio cruel e emboscada.

O processo judicial se estendeu por mais de uma década até que, em 2014, a Justiça de São Paulo decidiu absolver todos os investigados. A decisão judicial fundamentou-se na tese de legítima defesa, afirmando que os policiais militares agiram em resposta à conduta das vítimas e que "a morte das vítimas se deu em razão da conduta delas próprias".

Transição de comando e contexto político

Como novo secretário-executivo da Segurança Pública, Henguel Ricardo Pereira sucederá o também coronel da PM Paulo Maculevicius Ferreira, que era considerado braço-direito do então secretário Guilherme Derrite, do Partido Progressista (PP). Ferreira deixou o cargo para retornar à Câmara dos Deputados e preparar sua campanha eleitoral ao Senado Federal, que ocorrerá em 2026.

A nomeação ocorre em um momento de reestruturação na segurança pública paulista, com a nova gestão buscando equilibrar experiência operacional, conhecimento técnico em gestão de crises e a complexa história institucional da corporação.

A trajetória de Pereira – que mescla atuação em grandes desastres, experiência administrativa na Defesa Civil e um passado judicialmente resolvido – coloca-o em uma posição única para enfrentar os desafios contemporâneos da segurança no estado mais populoso do país.