Câmara de Belford Roxo elege Sidney Canella como novo presidente após decisão judicial
O vereador Sidney Canella, filiado ao União Brasil, foi oficialmente eleito presidente da Câmara Municipal de Belford Roxo nesta terça-feira, dia 24. A escolha ocorre após novas eleições determinadas pelo Supremo Tribunal Federal, em um cenário político local marcado por intensas confusões, episódios de violência e múltiplas tentativas de impugnação nos últimos anos.
Contexto de anulação e nova composição da mesa diretora
No ano passado, o STF anulou um terceiro mandato consecutivo de Markinho Gandra, também do União Brasil, por decisão do ministro André Mendonça. A constituição brasileira proíbe expressamente o exercício de um terceiro mandato consecutivo para o mesmo cargo eletivo. Curiosamente, Markinho Gandra, que teve seu mandato como presidente anulado pela mais alta corte do país, foi escolhido como o novo vice-presidente da Câmara nesta mesma sessão.
O pedido de afastamento que deu origem à anulação havia sido apresentado em outubro de 2025 pelo ex-prefeito da cidade, Waguinho, do Republicanos. A decisão do STF não apenas anulou o mandato de Gandra, mas também suspendeu a eleição da mesa diretora que estava em curso naquela época.
Histórico de tumultos e intervenções judiciais
Em julho do ano passado, a Justiça do Rio de Janeiro já havia suspendido uma tentativa de eleição antecipada para a presidência da câmara. A eleição original de Markinho Gandra para a presidência da casa, ocorrida em dezembro de 2023, foi marcada por um grande tumulto, que incluiu a invasão do plenário por um grupo ligado ao então prefeito Waguinho.
Durante o caos instalado naquela ocasião, o então prefeito chegou a acertar um tapa no rosto de um homem presente no local, episódio que foi amplamente divulgado e contribuiu para a imagem de instabilidade do legislativo municipal.
Questionamentos durante gestão anterior e cenário financeiro
Markinho Gandra, durante sua gestão à frente da Câmara, foi alvo de questionamentos formais do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério Público estadual, principalmente por falta de transparência administrativa. Ele nomeou mais de 130 assessores parlamentares, mas os dados referentes aos salários desses funcionários não estavam disponíveis no portal da transparência do município, ferindo princípios de publicidade.
Em um contraste significativo, em dezembro de 2024, os vereadores de Belford Roxo aprovaram um reajuste de 40% em seus próprios salários. Poucos dias após essa decisão, os próprios parlamentares reconheceram oficialmente, em sessão solene, que o município enfrentava uma grave situação de calamidade financeira, o que gerou críticas da população e de entidades de controle.
A posse de Sidney Canella representa um novo capítulo na conturbada política de Belford Roxo, mas ocorre sob a sombra de um histórico recente de judicialização das disputas internas e sob o olhar atento dos órgãos de fiscalização.



