CNJ inicia análise sobre custas judiciais após decisão do STF sobre verbas indenizatórias
Após o Supremo Tribunal Federal concluir o julgamento sobre as verbas indenizatórias de juízes e membros do Ministério Público, o Conselho Nacional de Justiça volta sua atenção para outro aspecto crucial do sistema judiciário: as custas judiciais. Trata-se do valor que os cidadãos pagam pelo serviço prestado pela Justiça, um tema que ganha destaque na agenda do órgão.
Proposta de resolução exige análise prévia de anteprojetos
Três conselheiros do CNJ apresentaram ao presidente Edson Fachin uma proposta de resolução que estabelece uma nova etapa no processo legislativo. Segundo a iniciativa, todos os anteprojetos de lei elaborados por tribunais que envolvam custas judiciais, taxas judiciárias e despesas processuais deverão passar por uma análise do CNJ antes de serem encaminhados ao Poder Legislativo.
O texto da proposta determina especificamente que esses anteprojetos precisarão do crivo do corregedor nacional de Justiça, que terá a autoridade para aprová-los, rejeitá-los ou sugerir modificações. Essa medida visa criar um filtro institucional que garanta maior coerência e transparência na definição dos valores cobrados aos usuários do sistema judiciário.
Disparidades significativas nas custas mínimas entre tribunais
Um levantamento realizado pelo próprio CNJ em 2023 revelou diferenças alarmantes nos valores das custas iniciais mínimas cobradas em diferentes instâncias judiciais. Os dados mostram que, enquanto na Justiça Federal o valor mínimo é de apenas 5,32 reais, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro essa cifra salta para impressionantes 795,43 reais.
"Em alguns casos, as diferenças chegam a centenas de vezes entre tribunais, o que evidencia a necessidade de maior coordenação institucional para garantir racionalidade ao sistema e preservar o acesso à Justiça", explica Ulisses Rabaneda, um dos responsáveis pela proposta, que conta também com a participação dos conselheiros Marcello Terto e Rodrigo Badaró.
Objetivo é garantir acesso à Justiça e racionalidade no sistema
A iniciativa do CNJ surge em um momento de reflexão sobre a eficiência e a equidade do sistema judiciário brasileiro. As custas judiciais representam uma barreira financeira significativa para muitos cidadãos que buscam resolver seus conflitos por meio da Justiça, especialmente considerando as disparidades regionais e institucionais identificadas no estudo do conselho.
A análise prévia dos anteprojetos pelo CNJ tem como objetivo principal:
- Estabelecer padrões mais uniformes nas cobranças judiciais em todo o país
- Garantir que os valores sejam compatíveis com a realidade econômica dos cidadãos
- Evitar que diferenças excessivas entre tribunais criem desigualdades no acesso à Justiça
- Promover transparência e controle na definição das taxas judiciárias
Esta movimentação do CNJ ocorre na esteira da decisão do STF sobre as verbas indenizatórias, demonstrando uma preocupação crescente com a sustentabilidade financeira do sistema judiciário e, ao mesmo tempo, com a garantia do direito fundamental de acesso à Justiça para todos os brasileiros.



