TSE cassa mandato de prefeito da PB por envolvimento com facção criminosa do CV
TSE cassa prefeito da PB por ligação com facção do Comando Vermelho

TSE determina cassação de prefeito e vice por vínculos com facção do Comando Vermelho

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu cassar definitivamente os mandatos do prefeito de Cabedelo, na Paraíba, André Luís Almeida Coutinho (Avante), e da vice-prefeita Camila Lucena (PP). A decisão histórica foi baseada em provas robustas de envolvimento com a facção criminosa Tropa do Amigão, que mantém ligações diretas com o poderoso Comando Vermelho (CV).

Esquema de corrupção eleitoral e infiltração na administração pública

Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), os gestores municipais implementaram um sofisticado esquema que combinava compra de votos, coação de eleitores e uso sistemático da máquina pública para fortalecer a influência do crime organizado. "Os dirigentes nomeavam pessoas ligadas à facção Tropa do Amigão para cargos comissionados e empregos terceirizados na prefeitura, mediante indicações diretas de líderes do tráfico", afirmou o MPE em seu relatório.

Entre os casos mais emblemáticos está a contratação da filha adotiva de um dos principais líderes da facção criminosa para um cargo comissionado no Poder Executivo municipal. Esta ação demonstrava claramente a intenção de consolidar o controle criminoso sobre a administração pública e todo o processo eleitoral na cidade paraibana.

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Provas concretas de compra de votos e benefícios ilícitos

As investigações revelaram que o esquema operava através da distribuição de cestas básicas, bens diversos e pagamentos em dinheiro em troca de votos para a chapa vencedora nas eleições de 2024. A análise forense de celulares apreendidos durante as operações policiais comprovou o envio de 42 comprovantes de votação no próprio dia da eleição, acompanhados de chaves Pix para recebimento dos pagamentos.

Posteriormente, foram identificadas transferências financeiras para eleitores que variaram entre 80 e 300 reais, configurando claramente a prática de corrupção eleitoral. O vereador Marcio Alexandre de Melo e Silva (União Brasil) também foi apontado como integrante ativo do esquema e teve seu mandato igualmente cassado pelo TSE.

Decisão judicial e consequências políticas imediatas

O ministro relator do caso na Corte Superior, Villas Bôas Cueva, foi enfático em seu voto ao afirmar que "as irregularidades são extremamente graves e comprometeram profundamente o equilíbrio e a legitimidade da disputa eleitoral de 2024". A cassação representa um marco na luta contra a infiltração do crime organizado na política brasileira.

Diante do afastamento definitivo dos gestores, novas eleições municipais foram convocadas e estão marcadas para o próximo domingo, 12 de maio. Os eleitores de Cabedelo terão a oportunidade de escolher novos representantes em um processo que se espera limpo e democrático, livre das interferências criminosas que marcaram o pleito anterior.

Defesas dos acusados e reações ao julgamento

Anteriormente, André Coutinho havia manifestado seu descontentamento com o resultado do julgamento ainda na Justiça Eleitoral da Paraíba, declarando por meio de nota oficial que lamentava a decisão. O ex-prefeito afirmou que "não praticou qualquer irregularidade" e que sua trajetória pública sempre foi pautada pela legalidade, pelo compromisso com a população e pelo respeito às instituições democráticas.

Camila Lucena, por sua vez, também se pronunciou anteriormente afirmando ter a consciência tranquila e negando categoricamente qualquer tipo de irregularidade na administração pública municipal. As defesas argumentaram que as acusações careciam de fundamentação sólida, mas o TSE considerou as provas apresentadas pelo MPE como contundentes e suficientes para a cassação dos mandatos.

Este caso emblemático reforça a importância dos órgãos de controle e do sistema de justiça eleitoral na preservação da democracia brasileira, especialmente em regiões onde o crime organizado busca infiltrar-se nas estruturas de poder para obter benefícios e proteção para suas atividades ilícitas.

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