TSE arrasta há anos julgamento de cassação do governador de Roraima, Antonio Denarium
TSE arrasta julgamento de cassação do governador de Roraima

TSE mantém lentidão histórica no julgamento da cassação do governador de Roraima

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), transformou-se em um caso emblemático de morosidade na Justiça Eleitoral brasileira. Cassado por quatro vezes consecutivas em primeira instância pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Roraima, o mandatário estadual passa praticamente todo o seu mandato pendurado em recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, sem uma definição final sobre o seu futuro político.

Processo emperrado por pedidos de vista e falta de prioridade

Enquanto o TSE demonstra celeridade em outros casos, como a recente cassação do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o processo de Denarium arrasta-se desde o ano de 2024, acumulando uma série interminável de pedidos de vista e adiamentos. A análise do caso possui uma coleção impressionante de solicitações de vista por parte dos ministros, que têm contribuído para a estagnação do julgamento.

Em novembro do ano passado, ocorreu a última tentativa frustrada de julgamento, antes do atual pedido de vista do ministro Nunes Marques. Naquela ocasião, o placar já indicava 2 votos a 0 pela cassação não apenas de Denarium, mas também do seu vice, Edilson Damião (Republicanos). A denúncia central acusa ambos os políticos de praticarem abuso de poder político e econômico durante as eleições estaduais de 2022.

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Condenação por uso ilegal da máquina pública em período eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima cassou os mandatos com base em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, ajuizada pela coligação "Roraima Muito Melhor". A condenação foi fundamentada no uso indevido da máquina pública para realizar ações expressamente vedadas a agentes públicos no período eleitoral, com o claro objetivo de obter vantagens políticas na disputa.

Entre as irregularidades apontadas, destacam-se:

  • Uso eleitoral de programas sociais, como a distribuição da "Cesta da Família" e do "Morar Melhor";
  • Reforma de residências de famílias de baixa renda sem critérios legais;
  • Repasse de quase R$ 70 milhões em recursos estaduais para 12 dos 15 municípios de Roraima, desrespeitando normas de transparência;
  • Extrapolação significativa dos gastos com publicidade governamental.

Além da cassação, o TRE determinou a inelegibilidade do governador e ordenou a realização de novas eleições no estado, decisão que aguarda confirmação ou reforma pelo TSE.

Voto da relatora reforça condenação e aponta gravidade das irregularidades

O julgamento no TSE foi brevemente retomado com a apresentação do voto-vista do ministro André Mendonça, que acompanhou parcialmente o entendimento da relatora, ministra Isabel Gallotti. Em seu voto, a relatora defendeu a manutenção do acórdão regional, justificando a decisão com base na gravidade e no volume das irregularidades cometidas.

Segundo Gallotti, as ações praticadas por Denarium e seu vice configuram um padrão sistemático de desrespeito às normas eleitorais, com o uso de recursos públicos para fins de campanha, o que viola princípios fundamentais da democracia e da isonomia entre os candidatos. A lentidão do TSE em definir o caso, no entanto, contrasta com a urgência apontada pelos fatos, levantando questionamentos sobre a eficiência da Justiça Eleitoral em processos de alta relevância política.

Enquanto isso, Antonio Denarium continua no exercício do cargo, beneficiando-se da demora processual, enquanto a população de Roraima aguarda uma definição que pode alterar o cenário político do estado. A situação expõe fragilidades no sistema eleitoral brasileiro, onde a morosidade pode, inadvertidamente, favorecer figuras públicas envolvidas em graves acusações de irregularidade.

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