STJ abre processo disciplinar contra ministro Marco Buzzi por denúncias de importunação sexual
STJ abre processo contra ministro Buzzi por importunação sexual

STJ decide abrir processo disciplinar contra ministro Marco Buzzi por denúncias de importunação sexual

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira, 14 de maio, abrir um processo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi, que é alvo de denúncias de importunação sexual. A decisão foi tomada pelo plenário do tribunal após análise de um relatório de sindicância interna que concluiu pela gravidade dos fatos imputados ao magistrado. O documento também recomenda a manutenção do afastamento de Buzzi até que o caso seja totalmente encerrado.

Denúncias e defesa do ministro

Marco Buzzi é alvo de duas denúncias específicas de importunação sexual. A primeira envolve uma jovem de 18 anos que passou as férias de janeiro com a família na residência do ministro em Santa Catarina. A segunda denúncia partiu de uma mulher que trabalhou no gabinete de Buzzi, relatando episódios reiterados de assédio que teriam ocorrido durante o ano de 2023. Ambas as vítimas foram ouvidas pelo Conselho Nacional de Justiça, que compartilhou informações relevantes com as instâncias competentes.

A defesa do magistrado tem se manifestado publicamente, afirmando que Buzzi "não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória" e que as alegações apresentadas contra ele "carecem de provas concretas". Em nota oficial, os advogados do ministro repudiam o que chamam de campanha sistemática de acusações veiculada na imprensa, marcada por vazamentos seletivos e distorções dos fatos.

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Processo administrativo e prazos

O processo administrativo disciplinar terá um prazo inicial de 140 dias para conclusão, podendo ser prorrogado quando considerado "imprescindível para o término da instrução e houver motivo justificado", mediante deliberação do Plenário ou Órgão Especial do STJ. Um processo disciplinar desta natureza pode levar à punição máxima de aposentadoria compulsória, dependendo das conclusões da investigação.

Desde fevereiro, por decisão unânime do STJ, Marco Buzzi está afastado do cargo enquanto durarem as apurações. O ministro está inclusive impedido de entrar nas dependências do tribunal, medida que visa garantir a isenção do processo investigativo.

Inquérito paralelo no Supremo Tribunal Federal

Além do processo disciplinar no STJ, o ministro Marco Buzzi também é alvo de um inquérito aberto nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ministro Nunes Marques. A abertura deste inquérito representa o início formal de uma fase de apuração para verificar a existência de eventual crime e sua respectiva autoria.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favoravelmente à abertura do inquérito, com o procurador-geral Paulo Gonet afirmando em documento enviado em 31 de março que "há elementos suficientes para instauração do inquérito". O inquérito no STF deve apurar tanto os relatos da jovem de 18 anos quanto os da ex-assessora do ministro, cujas denúncias foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça.

Contexto e próximos passos

A decisão do STJ ocorre em um contexto de crescente atenção sobre casos de assédio e importunação sexual no âmbito do Poder Judiciário. O processo disciplinar agora aberto seguirá seu curso administrativo, enquanto o inquérito no STF avançará em paralelo, criando um duplo fluxo investigativo sobre as mesmas alegações.

A defesa de Marco Buzzi continua a sustentar a inocência do magistrado, destacando sua trajetória de mais de quatro décadas na magistratura sem qualquer mácula anterior. Os próximos meses serão decisivos para esclarecer os fatos e determinar as responsabilidades legais e administrativas envolvidas neste caso que mobiliza a atenção do sistema judiciário brasileiro.

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