STF mantém ação penal contra Sergio Moro por brincadeira sobre Gilmar Mendes
STF mantém ação penal contra Moro por brincadeira sobre Gilmar

Supremo Tribunal Federal mantém ação penal contra senador Sergio Moro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, negar o recurso apresentado pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR) contra o aceite da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão mantém em andamento a ação penal movida contra o parlamentar por conta de um episódio no qual ele brincou sobre a possibilidade de "comprar" um habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, decano da Corte.

Decisão unânime e fundamentação jurídica

O julgamento dos embargos de declaração apresentados por Moro ocorreu no plenário virtual, com resultado publicado nesta segunda-feira, 23 de março de 2026. Todos os membros da Primeira Turma — ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin — acompanharam o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, que negou o recurso.

Em sua fundamentação, a ministra Cármen Lúcia destacou que os embargos de declaração servem apenas para corrigir erros materiais e questões pontuais, não podendo ser utilizados para alterar o mérito de uma decisão já proferida. "Além de a denúncia atender às prescrições formais previstas no artigo 41 do Código de Processo Penal brasileiro e ausentes as hipóteses do artigo 395 do mesmo código, há justa causa para a ação penal", afirmou trecho do voto.

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Contexto do caso e próximos passos

A denúncia contra Sergio Moro tem origem em um vídeo que circulou nas redes sociais em 2022, filmado durante uma festa junina. Nas imagens, o senador faz uma brincadeira sobre a possibilidade de "comprar" um habeas corpus do ministro Gilmar Mendes. A relação entre os dois é marcada por anos de antagonismo: enquanto Gilmar Mendes é crítico da condução da Operação Lava Jato por Moro, o senador alega que o magistrado seria leniente com acusados de corrupção.

É importante ressaltar que o aceite da denúncia não representa uma condenação. Nesta fase inicial, os ministros apenas analisam se existem requisitos mínimos para que o processo prossiga. A ação penal seguirá agora para a fase de produção de provas, onde tanto a acusação (PGR) quanto a defesa de Moro poderão apresentar evidências, ouvir testemunhas e solicitar depoimentos.

Apenas ao final, quando ocorrer o julgamento do mérito, será possível determinar se o senador será inocentado ou condenado. A decisão unânime da Primeira Turma reforça que o processo possui justa causa para continuar seu curso normal perante a Justiça.

Implicações políticas e jurídicas

Este caso ilustra as complexas relações entre os poderes no Brasil, especialmente quando envolvem figuras proeminentes do cenário político e jurídico. A manutenção da ação penal contra um senador da República por declarações feitas em contexto informal demonstra como o STF tem interpretado limites à liberdade de expressão quando há indícios de ofensa à honra de autoridades públicas.

O episódio também evidencia as tensões remanescentes do período da Operação Lava Jato, que continuam a reverberar no sistema judiciário brasileiro anos após o encerramento formal das investigações. A decisão do Supremo Tribunal Federal estabelece um precedente importante sobre o uso de embargos de declaração e os requisitos para continuidade de ações penais contra autoridades com foro privilegiado.

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