O dia em que o Senado rejeitou Alexandre de Moraes para o CNJ em 2005
Senado rejeitou Alexandre de Moraes para o CNJ em 2005

O veto histórico ao ministro do STF no Conselho Nacional de Justiça

O episódio em que o Senado Federal rejeitou a indicação de Alexandre de Moraes para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2005 ressurge como tema central nas eleições de 2026. Mais de duas décadas depois, a "degola" do hoje poderoso ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) se transformou em plataforma eleitoral para pré-candidatos ao Senado, especialmente da oposição de direita.

O contexto político de 2005

Em 18 de maio de 2005, o Plenário do Senado rejeitou, por 39 votos a 16, o nome de Alexandre de Moraes para a primeira composição do CNJ, órgão responsável por inspecionar e controlar todos os tribunais do país. Na época, Moraes era ex-secretário de Justiça do governo de Geraldo Alckmin em São Paulo e ex-presidente da Febem.

A manobra que derrubou sua indicação foi orquestrada pelo então líder do PT, Aloizio Mercadante, que detectou a falta de quórum suficiente para aprovar o nome do indicado. Mais do que uma oposição pessoal a Moraes, a estratégia representava uma resposta política à oposição, que acabara de protocolar o pedido de criação da CPI dos Correios, investigação que revelaria e ampliaria o escândalo do mensalão.

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O jogo político por trás da rejeição

Os parlamentares oposicionistas também haviam preterido o nome de Sérgio Renault, então secretário de Reforma do Judiciário e mentor da criação do CNJ, para uma vaga no conselho. O episódio ocorreu durante o primeiro mandato do presidente Lula, quando o Senado mantinha sintonia com o governo federal.

Curiosamente, até poucos dias antes da rejeição, Alexandre de Moraes era filiado ao PFL, partido que posteriormente se transformaria no Democratas e depois se fundiria ao atual União Brasil. Com o desgaste político evidente, o Senado acabou votando novamente a indicação de Moraes, que foi aprovada por 48 votos a sete em uma segunda tentativa.

O retorno do tema nas eleições de 2026

Mais de 20 anos depois, a rejeição inicial de Moraes ao CNJ se transformou em um dos principais ativos eleitorais da oposição para as eleições de outubro de 2026. Pelo menos 50 pré-candidatos a senador pretendem adotar a "degola" de um ministro do Supremo, com foco especial em Alexandre de Moraes, como plataforma de campanha.

Em troca de concorrer pelo PL, partido que possui a maior bancada na Câmara dos Deputados e cerca de 900 milhões de reais para financiar as disputas eleitorais, os candidatos às 54 vagas em disputa no Senado foram escolhidos pessoalmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O compromisso assumido é que, se vitoriosos, votem nos primeiros meses de 2027 um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

Declarações reveladoras

Recentemente, declarações do presidente Lula sobre Alexandre de Moraes chamaram a atenção. O petista afirmou que o ministro deveria "salvar" a biografia, o que muitos governistas interpretaram como um sinal de que o governo lavava as mãos diante do mais poderoso integrante do STF. Lula também alertou ao ICL Notícias que o desgaste sem precedentes da Corte "vai ser utilizado na campanha" e que "todo mundo tem que ter clareza que a extrema direita vai usar o caso do Banco Master e o envolvimento da Suprema Corte na campanha".

A nova cruzada política

A campanha pelo impeachment de Alexandre de Moraes possui um evidente viés de vingança política. O ministro foi relator das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e chefe da Justiça Eleitoral quando o ex-presidente Bolsonaro foi declarado inelegível. No entanto, além do aspecto vingativo, a pauta representa um forte apelo eleitoral para setores específicos do eleitorado.

A deputada e pré-candidata ao Senado Bia Kicis (PL-DF) declarou à VEJA: "Aprovaremos dois, três, quantos impeachments precisarem, até eles entenderem que são ministros do Supremo, não donos do Brasil". Ela deve fazer campanha conjunta com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o Senado pelo Distrito Federal.

Os principais nomes da campanha

No espectro da direita, diversos candidatos planejam surfar no desgaste do Supremo como plataforma eleitoral:

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  • Marcel van Hatten (Novo-RS)
  • Guilherme Derrite (PP-SP)
  • Caroline de Toni (PL-SC)
  • Eduardo Gayer (PL-GO)
  • Delegado Éder Mauro (PL-PA)
  • Carlos Bolsonaro, segundo filho do ex-presidente e pré-candidato do PL ao Senado por Santa Catarina

Com o país polarizado e o avanço do escândalo do Banco Master sobre juízes do tribunal, a pauta do impeachment de Alexandre de Moraes se consolida como um dos temas mais polêmicos e divisivos da campanha eleitoral de 2026, revivendo uma antiga tática de pressão política sobre o Supremo Tribunal Federal.