MDB orienta Lula a avançar com indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal
Ministros e líderes parlamentares do MDB aconselharam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a enviar imediatamente ao Senado a mensagem oficializando a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os aliados emedebistas informaram ao petista que a receptividade ao nome na Casa legislativa e o panorama político geral sofreram transformações significativas desde que Lula anunciou sua escolha para a Corte, em novembro do ano passado.
Caso Master altera cenário político
Um dos fatores cruciais para essa mudança é o avanço das investigações sobre a megafraude financeira do Banco Master e as conexões políticas do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO da instituição.
Desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em 9 de outubro de 2025, o plenário do Supremo opera com apenas dez de seus onze membros. O voto de um indicado de Lula pode se tornar determinante em julgamentos relacionados ao caso Master, que já atinge autoridades em todos os Poderes, abrangendo tanto a situação quanto a oposição.
Encontro estratégico no Planalto
Um grupo de caciques do MDB reuniu-se com Lula no Palácio do Planalto nesta terça-feira, 24 de março, em um encontro que se estendeu por mais de duas horas. Participaram da reunião os ministros Jader Filho (Cidades) e Renan Filho (Transportes), os líderes do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões, e no Senado, Eduardo Braga, além do senador Renan Calheiros.
Os emedebistas transmitiram ao presidente a mensagem de que, além de seus correligionários, as bancadas do PSD e o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), passariam a trabalhar ativamente pela aprovação de Messias na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), comandada por Otto Alencar (PSD-BA), e no plenário da Casa.
Superando animosidades anteriores
Até então, um dos motivos mais citados por parlamentares para justificar a resistência à indicação do chefe da AGU era a frustração de Alcolumbre e seu círculo de alianças com o preterimento do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome que esse grupo político apoiava abertamente para a vaga no Supremo.
Após a conversa com Lula, os emedebistas já informaram a Alcolumbre que ele deveria esperar um telefonema do presidente a qualquer momento, convidando-o para uma reunião. Se depender do parlamentar do Amapá, a agenda desse encontro com o chefe do Executivo federal abordará não apenas a aprovação da indicação de Messias no Senado, mas também um realinhamento de seu relacionamento com o Palácio do Planalto.
O cenário político, antes considerado inóspito para a indicação de Messias, transformou-se completamente com os desdobramentos do caso Master, abrindo novas possibilidades para a nomeação.



