Desembargadora anula eleição de Douglas Ruas para presidência da Alerj no Rio
Justiça anula eleição de Douglas Ruas para presidência da Alerj

Desembargadora suspende eleição que colocou deputado do PL na presidência da Alerj

A desembargadora Suely Lopes Magalhães, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou na noite desta quinta-feira, 26 de março de 2026, a anulação da votação que elegeu o deputado Douglas Ruas, do Partido Liberal, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A decisão liminar, tomada em caráter de urgência, torna completamente sem efeito o processo eleitoral interno realizado na tarde do mesmo dia, que havia colocado o parlamentar não apenas no comando do Poder Legislativo fluminense, mas também na iminência de assumir interinamente o governo estadual.

Falha na ordem cronológica fundamenta decisão judicial

Em sua fundamentação, a magistrada destacou que a eleição não respeitou a sequência processual adequada. Segundo sua avaliação, a Assembleia Legislativa precisaria aguardar primeiramente a posse do novo deputado que assumirá o mandato de Rodrigo Bacellar, cujo cargo foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Este processo depende da retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, programada para a próxima terça-feira.

A desembargadora argumentou textualmente em sua liminar: "Admitiu-se a vacância do cargo de Chefia do Poder Legislativo – outrora ocupado por Rodrigo da Silva Bacelar –, a ponto de iniciar o processo de escolha do novo Presidente, mas não se reconheceu a perda do mandato parlamentar em si, tampouco a impostergável retotalização dos votos, que poderia culminar, inclusive, na alteração da própria composição do Parlamento, com o potencial surgimento de novos eleitores e candidatos".

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Sucessão governamental em jogo

O aspecto mais sensível da decisão reside no fato de que o presidente da Alerj é o primeiro na linha sucessória para assumir o Palácio Guanabara em caso de dupla vacância nos cargos de governador e vice-governador. Esta situação ocorre atualmente no Rio de Janeiro após a renúncia de Cláudio Castro.

A magistrada enfatizou que a eleição da Alerj interfere diretamente na sucessão para o governo estadual, transcendendo o que normalmente seria considerado uma questão interna da Casa Legislativa. Em suas palavras: "O desvio de finalidade transcende em muito aquilo que se costuma chamar questão interna corporis. A indigitada manobra envolve o cumprimento – aparentemente distorcido – de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral e uma potencial interferência no corpo de eleitores que escolherá, por sufrágio interno, o agente público incumbido não apenas da Presidência da Assembleia Legislativa, mas, em última análise e ato contínuo, do próprio Governo do Estado do Rio de Janeiro".

Contexto político e reações

A sessão que elegeu Douglas Ruas ocorreu com apenas 45 votos favoráveis entre os 70 deputados e pegou a oposição de surpresa, pois foi convocada com menos de duas horas de antecedência, impedindo articulações para uma candidatura alternativa. O deputado concorreu sozinho ao cargo.

A ação judicial foi movida pelo PDT, mas outros partidos de oposição – incluindo PT, PSOL, PSD e MDB – também acionaram a Justiça questionando a legalidade da eleição. Paralelamente, o PL continua articulando para que Douglas Ruas seja candidato nas eleições indiretas que devem ocorrer nas próximas semanas na Assembleia Legislativa para definir quem completará o mandato de Cláudio Castro, embora esta candidatura dependa ainda de decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as regras do pleito.

A decisão da desembargadora Suely Lopes Magalhães representa um revés significativo para as pretensões políticas do Partido Liberal no Rio de Janeiro e reabre completamente o processo de escolha do novo presidente da Assembleia Legislativa, com todas as implicações que isso traz para a sucessão governamental no estado.

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