Janela partidária redefine cenário político em Mato Grosso do Sul
O período de janela partidária, que se encerrou na última sexta-feira (3), provocou significativas alterações na configuração política de Mato Grosso do Sul. As mudanças impactaram tanto a Assembleia Legislativa do estado (Alems) quanto a representação federal, com trocas de partido que se estenderam até o último momento do prazo estabelecido.
Reconfiguração nas bancadas estaduais
Com base nas eleições de 2022, partidos como PSDB, PL, PT e MDB detinham as maiores bancadas na Alems em 2023. Entretanto, após os trinta dias de janela partidária, o cenário foi completamente transformado. O PL passou a ocupar a posição de maior bancada na Assembleia Legislativa, contando agora com sete deputados estaduais, um aumento de quatro representantes em relação ao período anterior.
Em contrapartida, o PSDB foi o partido que mais perdeu cadeiras, reduzindo sua bancada para apenas três deputados, após a saída de três nomes. Partidos que haviam eleito representantes em 2022, como PRTB, Podemos, PDT, PSB e Patriota, ficaram completamente sem representação na Alems após o encerramento da janela partidária.
Comparativo das bancadas antes e depois
A composição da Assembleia Legislativa sofreu uma reestruturação evidente:
- 2023: PSDB (6), PL (3), PT (3), MDB (3), PP (2), PDT (1), PRTB (1), Patriota (1), Republicanos (1), PSB (1), União Brasil (1), Podemos (1)
- 2026 (após janela): PL (7, +4), Republicanos (4, +3), PP (3, +1), PT (3), PSDB (3, -3), MDB (1, -2), União Brasil (1), Novo (1, +1), Avante (1, +1)
Alterações na bancada federal
Na esfera federal, três deputados realizaram trocas partidárias durante o período da janela. O Progressistas (PP) fortaleceu sua bancada com a incorporação de Dr. Luiz Ovando e Dagoberto Nogueira, este último proveniente do PSDB. O PT manteve seus representantes Vander Loubet e Camila Jara, enquanto o PL conservou Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira em suas fileiras.
O União Brasil recebeu Geraldo Resende, que também migrou do PSDB, e os Republicanos passaram a contar com Beto Pereira, outro ex-integrante do partido. Curiosamente, o PSDB, que elegeu a maior bancada federal no estado em 2022, ficou sem nenhum representante após todas as mudanças realizadas durante a janela partidária.
Desincompatibilização afeta cargos públicos
Paralelamente às trocas partidárias, o prazo de desincompatibilização também terminou no último fim de semana. Este período exige que ocupantes de cargos públicos se afastem de suas funções para poderem disputar as eleições, resultando em diversas substituições em secretarias estaduais e municipais.
Na Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck deixou o cargo para concorrer a deputado federal, sendo substituído por Artur Falcette, anteriormente secretário-adjunto. Na Secretaria de Estado de Cidadania (SEC), Viviane Luiza da Silva saiu para disputar vaga na Câmara Federal, com José Francisco Sarmento Nogueira assumindo a pasta.
A Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários perdeu Fernando da Silva Souza, que deixou o cargo para concorrer a deputado estadual, sem que houvesse definição sobre seu substituto até o momento. Na Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), Marcelo Miranda saiu para disputar vaga na Assembleia Legislativa, sendo substituído por Alessandro Menezes de Souza.
Na Secretaria de Estado de Administração (SAD), Frederico Felini deixou o cargo, com Roberto Gurgel de Oliveira Filho assumindo a função. Na esfera municipal, Marcelo Miglioli saiu da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande, sem confirmação sobre sua candidatura nas eleições ou sobre quem assumirá o cargo vacante.
Essas mudanças configuram um cenário político renovado em Mato Grosso do Sul, com realinhamentos partidários e administrativos que certamente influenciarão os rumos das eleições de 2026 e a atuação parlamentar nos próximos anos.



