Dissidência do PSOL acusa Boulos de planejar migração para o PT há meses
Um grupo dissidente formado a partir de uma ruptura na ala de Guilherme Boulos no PSOL divulgou uma carta nas redes sociais nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, afirmando que o partido foi comunicado sobre a decisão do ministro de se desfiliar e seguir para o Partido dos Trabalhadores (PT).
O documento, publicado pelo Operativo Nacional da Dissidência da Revolução Solidária (ONDRS), surge após Boulos e sua corrente, a Revolução Solidária (RS), terem sido derrotados na tentativa de levar o PSOL a uma federação partidária com o PT.
Acusações de negociação prévia desde dezembro
Segundo a carta dissidente, Boulos teria comunicado oficialmente sua decisão à Coordenação Nacional da RS na noite de quinta-feira, 19 de março. No entanto, o grupo afirma ter informações de que tudo já estaria acertado desde dezembro do ano passado.
As negociações teriam incluído condições para que Natália Boulos, esposa do ministro, disputasse as eleições de outubro pelo PT, em reunião realizada com Kiko Celeguim, presidente do PT-SP, na Praia Grande no final de dezembro.
"O bicho já tinha cauda de jacaré, couro de jacaré e cabeça de jacaré. Ontem, o jacaré foi apresentado à Coordenação Nacional da RS", afirma um trecho emblemático da carta, sugerindo que a decisão já estava tomada há tempos.
Estratégia narrativa para justificar a mudança
O documento acusa Boulos de ter utilizado a proposta de federação com o PT como uma estratégia narrativa para justificar sua saída do PSOL. Segundo os dissidentes, a polêmica sobre a federação teria sido criada intencionalmente para gerar uma crise interna que permitisse a migração partidária.
"Era necessário construir uma narrativa. Tanto para ter uma explicação pública, quanto para arrastar o conjunto ou a maior parte da Revolução Solidária", afirma a carta, sugerindo que a derrota no Diretório Nacional do PSOL serviria de pretexto para a mudança.
Impacto político e possíveis consequências
A possível saída de Boulos do PSOL preocupa pela sua forte influência política e capacidade de arrastar centenas de militantes e parlamentares. Entre os nomes mencionados está a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que integra o grupo do ministro e poderia perder a presidência da Comissão da Mulher caso mude de partido.
Guilherme Boulos foi o deputado federal mais votado de São Paulo em 2022, com mais de 1 milhão de votos pelo PSOL, o que aumenta o impacto potencial de sua eventual saída da legenda.
Resposta de Boulos e críticas à divulgação
Em nota oficial, Guilherme Boulos não nega diretamente o conteúdo da carta divulgada pelos dissidentes, mas afirma que ele e seu grupo estão "discutindo internamente seus rumos políticos".
O ministro critica a divulgação do documento, classificando-o como "carta apócrifa" e acusando parte do PSOL de "oportunismo e desespero" ao torná-lo público.
Na noite de quinta-feira, Boulos participou do evento de lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad (PT-SP) ao governo de São Paulo, ao lado de diversas lideranças petistas, alimentando especulações sobre seu alinhamento político.
Apelo aos militantes e futuro da dissidência
A carta do ONDRS conclui com um apelo aos militantes do PSOL que ainda integram a Revolução Solidária para que rompam com a corrente, permaneçam no partido e se reorganizem para enfrentar a crise política.
O documento também defende a necessidade de reafirmar o projeto original do PSOL enquanto se trabalha pela reeleição de Lula, indicando as complexas negociações e alinhamentos que caracterizam o cenário político brasileiro em 2026.



