Defesa de ministro do STJ denuncia violação de sigilo em caso de acusações de assédio
A defesa do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, emitiu uma nota crítica contundente sobre o vazamento do depoimento de uma ex-assessora que denunciou supostos abusos e uma rotina de terror vivida no gabinete do magistrado entre os anos de 2023 e 2025. Os advogados argumentam que essa revelação, publicada pelo Radar, viola flagrantemente as regras de sigilo do procedimento em curso, atenta diretamente contra as garantias fundamentais do investigado e tem como objetivo claro pressionar os membros do STJ.
Contexto das acusações e processos em andamento
Os relatos divulgados indicam que uma jovem de 18 anos acusou Buzzi de assediá-la sexualmente, o que abriu caminho para que a ex-assessora também apresentasse suas denúncias. Este episódio resultou na abertura de múltiplos processos contra o ministro, incluindo uma apuração interna no STJ, um procedimento no Conselho Nacional de Justiça e um inquérito criminal ordenado pelo ministro Nunes Marques no Supremo Tribunal Federal. Atualmente afastado de suas funções na magistratura, Buzzi nega veementemente todas as acusações que lhe são imputadas.
Na última terça-feira, dia 13 de abril de 2026, o Radar publicou parte dos relatos coletados durante a investigação, que será formalmente apresentada aos ministros do STJ na próxima terça-feira, dia 14. A defesa do magistrado ressaltou que o vazamento não apenas desrespeita o sigilo processual, mas também representa uma violação das garantias fundamentais de qualquer cidadão, além de prejudicar a própria advocacia.
Argumentos da defesa e seletividade nas informações
Em nota oficial, os advogados Maria Fernanda Ávila e Paulo Emílio Catta Preta destacaram que não é casual que todos os vazamentos verificados neste caso tenham envolvido exclusivamente elementos de acusação. Eles afirmam que os múltiplos elementos de contraprova e o interrogatório do investigado jamais receberam qualquer tipo de publicidade, evidenciando uma seletividade que, segundo eles, é a prova de uma estratégia deliberada e o avesso da lealdade processual.
"A defesa confia na independência e no histórico institucional do Tribunal para que tais manobras não alcancem o efeito pretendido", completaram os advogados, expressando sua fé na capacidade do STJ de conduzir o processo com imparcialidade e justiça, sem sucumbir a pressões externas ou vazamentos seletivos que possam influenciar o desfecho.
Impacto no processo e próximos passos
O caso tem gerado ampla repercussão no meio jurídico e na opinião pública, levantando questões sobre a ética no tratamento de investigações envolvendo figuras de alto escalão. Com a apresentação dos relatos aos ministros do STJ marcada para a próxima semana, espera-se que o tribunal avalie cuidadosamente tanto as acusações quanto as defesas, garantindo um processo transparente e equânime.
Enquanto isso, a defesa de Buzzi continua a defender sua inocência, alertando para os riscos que vazamentos como este representam para a integridade do sistema judicial e para os direitos fundamentais de todos os envolvidos em processos de natureza semelhante.



