Uberabense no Qatar relata impactos da escalada do conflito no Oriente Médio
Enquanto o mundo acompanha com atenção o aumento das tensões envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos, países da região também começam a sentir os impactos indiretos do conflito. Mesmo diante do cenário de incerteza, a cantora de Uberaba, no Triângulo Mineiro, Luciana Maya, que mora no Qatar há 17 anos, contou que tenta manter a rotina o mais normal possível.
Fechamento do espaço aéreo e restrições de circulação
O espaço aéreo do país foi afetado e o governo restringiu a circulação em alguns momentos. “O Qatar é um dos países mais seguros do mundo, muito diplomático e sempre mediando conflitos. Dessa vez somos um dos alvos. Estamos tranquilos no país, mas é desagradável ficar ouvindo interceptação de mísseis. Para nós brasileiros é ainda pior, porque não estamos acostumados com esses barulhos de guerra”, relatou Luciana Maya.
Segundo ela, o espaço aéreo foi fechado logo nos primeiros dias da escalada do conflito. A medida afetou voos internacionais e deixou milhares de pessoas impossibilitadas de deixar o país. “Desde o primeiro dia, se não me engano foi no dia 28, eles já fecharam o espaço aéreo. A Qatar Airways suspendeu a entrada e saída do país. Tem muitas pessoas presas aqui. Cerca de 8 mil pessoas que não são residentes estão no país neste momento”, explicou a cantora.
Rotina adaptada e solidariedade entre brasileiros
Luciana trabalha em uma produtora e, por isso, consegue exercer as atividades de casa. O governo do Qatar também tem orientado os moradores a permanecerem em casa sempre que possível. Ainda assim, ela afirmou que tenta manter parte da rotina diária. “Acabamos indo à academia, passear com o cachorro e ao supermercado. Quando há algum perigo, recebemos um alerta no celular”, disse.
Durante esse período de tensão, a cantora também decidiu ajudar outra brasileira que estava sozinha no país. “Acolhemos uma brasileira, a Julia, de Barretos. Ela estava sozinha em um hotel e chamamos para ficar aqui em casa”, contou Luciana, destacando a importância do apoio mútuo em momentos de crise.
Humor como forma de superar o susto e preocupação da família
Apesar do clima de alerta, Luciana disse que o humor tem sido uma forma de enfrentar o momento. “A gente até brinca, porque quando vivemos momentos assim usamos o humor para tentar passar por isso. Sempre dizemos que esse alarme ainda vai matar alguém, porque o barulho é assustador”, comentou.
Ela afirmou que tem seguido apenas as orientações oficiais do governo do Qatar e do Itamaraty. Mesmo se sentindo segura no país, a cantora contou que a família no Brasil acompanha a situação com preocupação. “Aqui, graças a Deus, nos sentimos bem protegidos. Mas quem está no Brasil vendo pela televisão não vê assim. Então estou sempre mostrando minha realidade e situações do meu dia a dia para tranquilizá-los”, afirmou.
Contexto do conflito e experiência de quem vive no exterior
Luciana disse ainda que, por já viver há muitos anos no país, consegue lidar melhor com a situação. Para quem estava apenas de viagem, no entanto, o impacto tem sido maior. “Para quem está viajando e acaba se vendo no meio desse conflito, a situação é muito mais complicada”, concluiu.
O conflito entre Israel e Irã tem raízes históricas, com confrontos indiretos que se intensificaram recentemente. Os Estados Unidos, como principal aliado de Israel, justificam ações com base no temor sobre o programa nuclear iraniano, embora o Irã sempre tenha negado buscar uma arma nuclear. Essa escalada tensiona toda a região, afetando até países como o Qatar, conhecido por sua diplomacia.



