Jon Favreau, criador de 'O Mandaloriano' e diretor do novo filme 'O Mandaloriano e Grogu', concedeu uma entrevista exclusiva ao g1 durante a CCXP México. Ele compartilhou detalhes sobre o processo de transformar a série de sucesso em uma experiência cinematográfica, o sonho de dirigir um filme da saga Star Wars e a participação especial de Martin Scorsese.
Da série para as telonas
O filme 'O Mandaloriano e Grogu' nasceu após a greve dos roteiristas de Hollywood em 2023, que interrompeu a produção da quarta temporada da série. Com o roteiro original descartado, Favreau foi escalado para criar um longa-metragem que expandisse o universo da série. 'Na série de TV, tínhamos que entregar oito episódios em um ano. No filme, tivemos duas horas e três anos. Então pude realmente colocar a mão na massa', explicou o diretor.
Favreau destacou a diferença entre os formatos: 'Numa série, você presume que todo mundo viu tudo o que veio antes. Mas em um filme, há toda uma geração de jovens que nem tinham idade suficiente para ver Star Wars quando esteve pela última vez no cinema. Por isso, queríamos garantir que pudéssemos convidar novos fãs, sem que eles precisassem saber nada sobre O Mandaloriano ou mesmo Star Wars.'
Essa abordagem fez com que o filme funcionasse como um 'filler' da série, um episódio independente que não desenvolve a trama principal, mas oferece uma porta de entrada para novos espectadores.
A responsabilidade de dirigir Star Wars
Com um currículo que inclui 'Homem de Ferro', 'Chef' e os live-actions de 'Mogli: O Menino Lobo' e 'O Rei Leão', Favreau não se sentiu pressionado ao receber o convite para dirigir o filme que marca o retorno de Star Wars aos cinemas desde 'A Ascensão Skywalker' (2019). 'Acho que sinto mais uma responsabilidade do que pressão. Todo mundo ama tanto Star Wars que é muito difícil fazer algo em segredo. Quem cresceu assistindo essa franquia se importa muito com ela. Então essa é a responsabilidade que sinto', afirmou.
Ele também mencionou o Brasil e o dublê brasileiro Lateef Crowder, que participou das gravações, demonstrando simpatia e proximidade com os fãs brasileiros.
A participação de Martin Scorsese
Favreau revelou que a participação de Martin Scorsese no filme, dando voz a um personagem que fornece informações secretas a Din Djarin em troca de moedas, não surgiu de uma amizade direta. 'Eu não tinha esse tipo de relacionamento que pudesse ligar para ele e dizer: Ei, faça um filme para mim', disse. Quem fez a ponte foi Kathy Kennedy, ex-presidente da Lucasfilm, amiga de Scorsese.
O diretor elogiou o trabalho do cineasta: 'Ele foi um gênio desde o início e trabalhar com ele foi fantástico. É realmente impressionante o que eles conseguiram fazer com aquela performance de voz, algo que inspirou a aparência do personagem e até os movimentos. Tudo sobre esse filme foi sensacional, mas aquele personagem em particular é uma das coisas que eu mais gostei de assistir.'
Com um tom descontraído, Favreau encerrou a entrevista brincando sobre o tratamento que recebeu no México: 'Eles estão me tratando bem na Cidade do México, estou sendo muito bem alimentado aqui.'



