Governo Trump avalia presidente do Parlamento iraniano como possível novo líder do país
Trump vê presidente do Parlamento iraniano como possível novo líder

Governo Trump avalia presidente do Parlamento iraniano como possível novo líder do país

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem analisado ativamente uma figura proeminente para um futuro governo no Irã: o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, de 64 anos. A informação foi divulgada pelo site americano POLITICO na segunda-feira, 23 de março de 2026, revelando uma movimentação estratégica que chama a atenção pelo perfil do político iraniano.

Um crítico voraz dos EUA como interlocutor confiável

Bagher Ghalibaf é conhecido por suas posições críticas em relação aos Estados Unidos, frequentemente expressando ameaças, promessas de retaliação e deboches sobre o presidente Trump. Apesar dessa postura pública, ele é visto pela Casa Branca como um interlocutor confiável, uma figura capaz de negociar uma saída diplomática para as tensões entre os dois países. Dois funcionários do governo americano confirmaram essa avaliação, destacando que, embora Ghalibaf seja um crítico, sua experiência e pragmatismo o tornam uma opção viável para diálogos.

No entanto, o governo Trump ainda não está preparado para apostar todas as cartas no ex-prefeito de Teerã, mantendo outras alternativas em análise. Mesmo com essa reticência, uma das autoridades envolvidas descreveu Ghalibaf como "uma opção muito promissora" e "um dos principais candidatos" para um possível futuro governo iraniano.

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Estratégia inspirada no caso venezuelano

A ideia por trás dessa avaliação é transformar o Irã em uma espécie de Venezuela 2.0. Após a captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro de 2026, Delcy Rodríguez assumiu o poder na nação caribenha e, sob pressão de Trump, fechou um acordo para entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Esse modelo de transição de poder e concessões econômicas serve como referência para a estratégia americana em relação ao Irã.

O petróleo é uma peça-chave nesse cenário, assim como no caso de Caracas. O Irã é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, com destaque para a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações iranianas. Além disso, o Estreito de Ormuz, uma rota vital por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos globalmente, está no centro das preocupações geopolíticas.

Ceticismo e desafios na implementação

Algumas figuras do governo Trump e analistas internacionais duvidam que Bagher Ghalibaf seja tão maleável quanto Delcy Rodríguez. Ali Vaez, analista sênior do Irã no International Crisis Group, explicou ao POLITICO que "Ghalibaf é um típico político do sistema: ambicioso e pragmático, mas fundamentalmente comprometido com a preservação da ordem islâmica no Irã".

Vaez acrescentou que isso o torna um candidato improvável para oferecer concessões significativas a Washington. Mesmo que ele estivesse inclinado a testar os limites, o establishment militar iraniano e a elite de segurança provavelmente o conteriam. Após as ações dos Estados Unidos e de Israel, o clima em Teerã é de profunda desconfiança, com pouca crença de que Trump ou Israel honrariam os termos de qualquer acordo possível.

Essa avaliação do governo Trump reflete uma estratégia ousada na política externa, buscando influenciar mudanças de governo em países adversários por meio de pressão diplomática e econômica. O caso do Irã, com suas complexidades internas e regionais, apresenta desafios significativos, mas a persistência na busca por interlocutores como Ghalibaf indica um caminho contínuo de tentativas de negociação e realinhamento de forças no Oriente Médio.

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