O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniram-se nesta quinta-feira (7) em Washington, na Casa Branca. O encontro foi marcado por um aperto de mão suave, diferente do tradicional aperto firme de Trump, e gerou análises sobre a dinâmica entre os dois líderes.
O encontro
Em vídeo divulgado pelo governo norte-americano, é possível ver o momento em que Trump recebe Lula. Os dois trocaram um aperto de mão e o presidente norte-americano perguntou como Lula está. O primeiro contato não teve o famoso aperto de mão de urso do americano, que já rendeu muitos comentários e análises sobre uma possível técnica para afirmar poder ou superioridade.
Segundo a análise do jornalista Marcelo Lins, o cumprimento foi suave. "Muitas vezes, a gente vê o Trump dando aquele aperto de mão muito forte, eventualmente puxando o seu interlocutor para perto dele. Tem umas imagens clássicas dele fazendo isso", disse o jornalista. "Mas dessa vez não. Aparentemente foi uma chegada mais suave, com o Trump perguntando para o presidente Lula como é que ele está, o Lula respondendo. Um perguntando em inglês, o outro respondendo em português", complementou Lins. Para o jornalista, foi um primeiro contato "marcado pela suavidade, pela gentileza entre esses dois líderes".
Formato do encontro
Segundo a programação divulgada pela Casa Branca, os dois se reúnem no Salão Oval e depois participam de um almoço bilateral na Sala do Gabinete da Casa Branca. De acordo com apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, o encontro é uma "visita de trabalho", formato menos formal do que uma reunião bilateral tradicional.
Lula e Trump se falaram por telefone antes da viagem aos EUA. A reunião é vista como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após os EUA aplicarem tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais.
Contexto
Esta é a segunda reunião presencial entre Lula e Trump. Em outubro, os dois se encontraram durante um evento na Malásia. Um mês antes, conversaram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU. Antes do encontro, Lula e Trump falaram por telefone na sexta-feira (1º). O governo brasileiro disse que a conversa foi "amistosa".
Temas discutidos
Pelo menos cinco temas centralizaram o encontro:
- Crime organizado: um dos principais pontos foi a pressão para classificar facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. O governo brasileiro tenta convencer os norte-americanos de que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação bilateral, sem medidas que possam abrir margem para ações mais duras dos EUA.
- PIX: os EUA investigam possíveis impactos do sistema brasileiro sobre empresas americanas de pagamentos eletrônicos. O governo Lula pretende defender que o PIX não discrimina companhias estrangeiras e usar o encontro para evitar possíveis medidas contra o Brasil relacionadas ao sistema.
- Questões internacionais: Lula e Trump têm divergências sobre temas como Venezuela, Irã e o papel dos EUA em conflitos globais. O presidente brasileiro defendeu o fortalecimento da ONU e criticou posturas consideradas unilaterais do governo americano.
- Minerais críticos e terras raras: considerados estratégicos para tecnologia e transição energética, também foram abordados.
- Não interferência eleitoral: segundo o blog da Andreia Sadi, Lula pretende usar o encontro como ativo político, buscando um compromisso informal de não interferência dos EUA nas eleições brasileiras de outubro e tentando reforçar sua imagem de liderança internacional.



