Trump afirma que Irã não precisa ser democracia, desde que novo líder seja favorável a EUA e Israel
Trump: Irã não precisa ser democracia, basta líder favorável

Trump declara que Irã não necessita de democracia, desde que novo líder seja favorável a EUA e Israel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações surpreendentes nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, afirmando que não considera necessária uma transição democrática no Irã, desde que o novo líder da nação persa seja "justo e imparcial" e trate bem tanto os americanos quanto Israel.

Mudança na retórica presidencial

Desde o início do conflito há quase uma semana, quando Trump falava sobre mudança de regime e exortava a população iraniana a tomar o poder, o presidente americano se afastou dessa retórica inicial. Agora, ele define como metas principais a incapacitação dos programas de mísseis e enriquecimento de urânio do país, da Marinha iraniana e da rede de milícias aliadas de Teerã que operam no Oriente Médio.

"O Irã não é o mesmo país que era há uma semana. Há uma semana eles eram poderosos, e agora foram de fato neutralizados", afirmou Trump em entrevista exclusiva à emissora americana CNN.

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Visão sobre democracia no Irã

Questionado diretamente se acreditava que precisa haver um Estado democrático no Irã, o presidente americano foi categórico: "Não, estou dizendo que precisa haver um líder que seja justo e imparcial. Que faça um ótimo trabalho. Que trate bem os Estados Unidos e Israel, e que trate bem os outros países do Oriente Médio — todos eles são nossos parceiros."

Esta posição marca uma mudança significativa no discurso oficial da Casa Branca, que tradicionalmente defende valores democráticos como parte fundamental de sua política externa.

Processo de sucessão e comparação com Venezuela

Trump também se mostrou otimista em relação ao processo para substituir o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano que foi morto nos primeiros ataques dos Estados Unidos e Israel no sábado, 28 de fevereiro.

"Vai funcionar muito facilmente. Vai funcionar como na Venezuela. Temos uma líder maravilhosa lá. Ela está fazendo um trabalho fantástico. E vai funcionar como na Venezuela", declarou o presidente, referindo-se à presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez.

Segundo Trump, Rodríguez mantém discurso linha-dura para o público interno, mas aprofundou a cooperação com Washington após as forças americanas capturarem o ditador deposto Nicolás Maduro em janeiro deste ano.

Papel na escolha do próximo líder

Na quinta-feira, 5 de março, Trump já havia afirmado que deveria ter um papel ativo na escolha do próximo líder supremo do Irã. Ele insistiu que Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e apontado como sucessor mais provável, seria "inaceitável" para o cargo.

Apesar dessa posição, o presidente americano garantiu estar aberto à possibilidade de haver um líder religioso no Irã: "Depende de quem será a pessoa. Eu não me importo com líderes religiosos. Eu lido com muitos líderes religiosos e eles são fantásticos", ponderou.

Relações com países do Golfo

Durante a entrevista à CNN, Trump também exaltou seu relacionamento com alguns países do Oriente Médio atacados pelo Irã, em especial as ricas monarquias do Golfo, alegando que eles estão "lutando por nós".

"E eu me tornei muito amigo de todos esses países. É por isso que todos eles estão lutando por nós. Antes de eu me envolver, nem sequer falávamos com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita", afirmou o presidente.

Trump ainda criticou seus predecessores: "(O presidente Joe) Biden os excluiu. Ele e (o presidente Barack) Obama se afastaram da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar. Todos eles iriam se aproximar da China, aí eu me envolvi e em um período muito curto de tempo e eles se tornaram meus amigos".

Contexto geopolítico

As declarações de Trump ocorrem em um momento de tensão geopolítica significativa no Oriente Médio, com:

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  • Mudanças no equilíbrio de poder regional
  • Reconfiguração de alianças estratégicas
  • Preocupações sobre programas nucleares
  • Questões de segurança regional

A posição do presidente americano sobre a democracia no Irã representa uma abordagem pragmática que prioriza interesses estratégicos dos Estados Unidos e de seus aliados na região, em detrimento de considerações ideológicas sobre sistemas de governo.