Trump afirma que Líbano não está incluído em cessar-fogo com Irã, gerando tensões internacionais
Trump exclui Líbano de cessar-fogo com Irã, causando tensão

Declaração de Trump sobre Líbano gera divergências internacionais sobre cessar-fogo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que o Líbano não está incluído no acordo de cessar-fogo estabelecido entre os EUA e o Irã, gerando imediatas contradições com outros países envolvidos nas negociações de paz. A declaração foi feita durante entrevista à rede de televisão pública PBS, onde Trump justificou a exclusão libanesa citando a presença do grupo Hezbollah no país.

Posições conflitantes entre nações mediadoras

Enquanto Trump afirmava categoricamente que "eles (Líbano) não estão incluídos no acordo" e reforçava que "por causa do Hezbollah, eles não foram incluídos no acordo também", o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, apresentava versão completamente oposta. O líder paquistanês, cujo país atuou como mediador do conflito, declarou publicamente que a trégua contemplava "todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato".

A CNN Internacional acrescentou mais complexidade ao cenário ao relatar que, segundo a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt, Trump não se opôs a que Israel continuasse atacando o Líbano durante conversa com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Esta posição foi confirmada pelas ações militares subsequentes.

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Resposta militar israelense e reação iraniana

Pouco após as declarações de Trump, Israel realizou o que descreveu como "a maior onda de bombardeios" da guerra contra o Líbano, atingindo mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah. O Exército israelense afirmou que a operação visava infraestrutura do grupo terrorista localizada em áreas civis, acusando o Hezbollah de usar libaneses como "escudos humanos".

O Irã respondeu imediatamente às ações israelenses, reafirmando que o Líbano estava contemplado na trégua e tomando medidas retaliatórias. O regime iraniano voltou a fechar o Estreito de Ormuz para o trânsito de navios comerciais, atribuindo a ação às "violações de Israel ao cessar-fogo". Além disso, fontes das agências estatais Tasnim e PressTV relataram que as Forças Armadas iranianas já estavam "identificando alvos para responder aos ataques".

Cenário humanitário no Líbano

Os bombardeios israelenses causaram danos significativos em Beirute e outras regiões libanesas, com o Ministério da Saúde local relatando centenas de vítimas, incluindo mortos e feridos. Autoridades libanesas pediram que a população liberasse as ruas da capital para a passagem de ambulâncias, enquanto o primeiro-ministro Nawaf Salam acusou Israel de atingir áreas densamente povoadas e ignorar esforços internacionais pela paz.

Segundo dados do governo libanês, mais de 1.500 pessoas morreram em ataques israelenses desde o início do conflito em fevereiro, com outras 4.800 ficando feridas. Israel emitiu diversos alertas de evacuação para regiões no sul do Líbano, incluindo a cidade de Tiro e sete bairros da capital Beirute.

Consequências regionais e negociações futuras

O endurecimento da postura iraniana ocorreu paralelamente a relatos de ataques com mísseis e drones contra países do Golfo Pérsico, incluindo Catar, Kuwait e Arábia Saudita. Estas ações contradiziam o acordo de cessar-fogo que previa a pausa nos ataques retaliatórios do Irã contra aliados regionais dos EUA.

As negociações para um acordo de paz definitivo estão programadas para ocorrer em Islamabad na próxima sexta-feira (10), envolvendo autoridades iranianas e norte-americanas. Enquanto Trump afirma que os EUA "já venceram a guerra" e alcançaram todos os objetivos, a mídia estatal iraniana classifica o acordo como "recuo humilhante de Trump" e afirma que os americanos aceitaram os termos de Teerã.

O plano de paz iraniano, conforme divulgado pela agência Mehr controlada pelo governo, inclui dez pontos principais como não agressão, permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, aceitação do enriquecimento de urânio, suspensão de sanções e pagamento de indenizações. A divergência sobre o status do Líbano promete ser um dos pontos mais complexos nas próximas rodadas de negociação.

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