Trump anuncia escolta de petroleiros no Estreito de Ormuz enquanto Rússia redireciona petróleo para a Índia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha norte-americana pode escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, se necessário, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. A declaração ocorre enquanto a Rússia estaria pronta para redirecionar carregamentos de petróleo à Índia, visando compensar interrupções no fornecimento na região.
Rússia oferece alívio rápido à Índia com petróleo redirecionado
Segundo uma fonte do setor ouvida pela Reuters, cerca de 9,5 milhões de barris de petróleo russo já estão em navios próximos às águas indianas e poderiam chegar ao destino em poucas semanas. A fonte, que pediu anonimato, não informou qual era o destino original das cargas, mas destacou que os volumes poderiam oferecer alívio rápido às refinarias indianas.
A Índia é considerada vulnerável a choques de oferta, mantendo estoques de petróleo suficientes para apenas cerca de 25 dias de consumo. As reservas de diesel, gasolina e gás liquefeito de petróleo também são limitadas, aumentando a pressão por fornecedores alternativos.
Estreito de Ormuz: rota crítica sob pressão
Cerca de 40% das importações indianas de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz, principal corredor global de exportação de petróleo. A rota ficou praticamente inacessível após navios serem atingidos por ataques iranianos, que ocorreram depois de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã.
A Índia, terceiro maior consumidor de petróleo do mundo, processa cerca de 5,6 milhões de barris por dia. Segundo a fonte do setor, a Rússia estaria disposta a suprir até 40% das necessidades indianas de petróleo bruto, embora as importações tenham caído recentemente devido a tarifas impostas pelos EUA.
Negociações comerciais e pressão dos EUA
Refinarias indianas mantêm contato regular com traders que vendem petróleo russo, mas qualquer aumento nas compras dependerá de orientação do governo. Isso ocorre porque seguem negociações comerciais com os Estados Unidos, conforme disseram duas fontes do setor.
No mês passado, Trump afirmou que retiraria tarifas punitivas aplicadas a produtos indianos após Nova Délhi sinalizar que deixaria de comprar petróleo russo. A Índia, porém, nega ter assumido esse compromisso, sustentando que sua estratégia é diversificar fornecedores de acordo com as condições de mercado.
Mercado favorece vendedores e oferta de GNL
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o petróleo russo vinha sendo vendido com desconto. Agora, segundo a fonte ouvida pela Reuters, essa diferença deve diminuir, já que o cenário atual favorece os vendedores.
A mesma fonte afirmou que Moscou também estaria pronta para vender gás natural liquefeito (GNL) à Índia após o Catar suspender a produção, em meio à escalada do conflito. Empresas indianas já reduziram o fornecimento de gás a parte dos clientes industriais para administrar a escassez.
Vulnerabilidade energética da Índia
China e Índia, maiores consumidores de energia da Ásia, importam cerca de metade de seu petróleo do Oriente Médio. A Índia, no entanto, mantém estoques menores que os chineses e está mais exposta a choques regionais, especialmente após a redução das compras de petróleo russo sob pressão dos EUA.
Na terça-feira, Trump determinou que a agência de financiamento ao desenvolvimento dos EUA ofereça seguro contra risco político e garantias para o transporte marítimo na região do Golfo, reforçando a resposta norte-americana à crise.



