Trump ameaça retirar EUA da OTAN e planeja punir aliados por falta de apoio contra Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando medidas drásticas para punir países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) devido à falta de apoio na guerra contra o Irã. A revelação foi feita pelo jornal The Wall Street Journal nesta quarta-feira (8), destacando um plano que inclui desde realocações de tropas até o fechamento de bases militares americanas na Europa.
Críticas à aliança e cobrança de maior envolvimento
Nos últimos dias, Trump tem criticado publicamente a aliança militar, cobrando mais apoio dos aliados em operações no Oriente Médio, especialmente para a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. A Casa Branca chegou a afirmar que a OTAN "virou as costas para os EUA" durante o conflito, em declaração da secretária de imprensa Karoline Leavitt.
"Eles foram postos à prova e falharam", declarou Leavitt, citando palavras do presidente. "É bastante triste que a OTAN tenha dado as costas ao povo americano nas últimas seis semanas, quando é justamente esse povo que financia sua defesa", acrescentou.
Plano de punição e realocação de tropas
Segundo o WSJ, a administração Trump prepara um plano abrangente para punir países considerados "prejudiciais" aos interesses americanos na guerra contra o Irã. Entre as medidas em estudo estão:
- Transferência de tropas americanas de alguns países para outros que apoiaram a ofensiva no Oriente Médio
- Possível fechamento de uma base militar dos EUA na Europa, possivelmente na Espanha ou na Alemanha
- Deslocamento de mais soldados americanos para áreas próximas da Rússia, o que pode aumentar tensões no Leste Europeu
Países como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia estariam entre os possíveis beneficiados com a realocação de tropas, enquanto Espanha e Alemanha enfrentam críticas diretas. A Espanha impediu que aviões dos EUA envolvidos na operação contra o Irã utilizassem seu espaço aéreo, e a Alemanha criticou abertamente a ofensiva no Oriente Médio.
Falta de consulta prévia e ameaça de retirada
Autoridades europeias revelaram ao WSJ que não foram consultadas sobre os ataques ao Irã antes do início da guerra, o que dificultou a coordenação de uma possível resposta militar nos primeiros dias do conflito. Essa falta de comunicação tem alimentado as tensões entre Washington e seus aliados.
Em março, Trump usou as redes sociais para afirmar que países da OTAN "não fizeram absolutamente nada" para ajudar os EUA no Irã. Posteriormente, o presidente americano declarou que os Estados Unidos não precisavam da aliança e ameaçou retirar o país do tratado histórico.
Encontro crucial e papel central dos EUA
As declarações da Casa Branca ocorreram poucas horas antes de uma reunião entre o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, e o presidente Trump. Questionada sobre uma possível retirada dos Estados Unidos da aliança, a secretária de imprensa Leavitt respondeu que o tema já foi mencionado pelo presidente e poderá ser discutido no encontro.
Antes do encontro, Rutte conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo o Departamento de Estado, as conversas abordaram:
- As operações militares contra o Irã
- A guerra na Ucrânia
- O reforço da coordenação e da divisão de encargos entre os aliados da OTAN
Os Estados Unidos exercem papel militar central na aliança desde sua criação em 1949, mas Trump tem cobrado consistentemente maior participação dos aliados no financiamento e nas operações militares. Em 2025, os demais membros da OTAN aprovaram aumento significativo dos gastos com defesa, dentro de um plano com metas até 2035, mas isso não parece ter amenizado as críticas do presidente americano.
A ameaça de retirada dos EUA da OTAN representa um dos momentos mais delicados na história da aliança, com potenciais consequências geopolíticas significativas para a segurança internacional e o equilíbrio de poder no cenário global.



