Trump ameaça Cuba após operação na Venezuela e sugere queda do regime
Trump ameaça Cuba e sugere queda do regime socialista

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais neste domingo (11) para lançar uma série de ameaças e sugestões sobre o futuro de Cuba, intensificando a retórica contra o regime socialista que governa a ilha há mais de seis décadas. As publicações ocorreram logo após uma operação norte-americana para capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Retórica nas redes sociais e apoio a plano de mudança

Em uma sequência de posts, Trump endossou a ideia de derrubar o sistema político cubano ainda em 2026. Ele republicou uma mensagem de Marc Thiessen, ex-diretor de discursos da Casa Branca, que afirmava ser "incrível" acabar com o regime, o qual sobreviveu a todos os presidentes dos EUA desde 1961.

Trump concordou com apoiadores que descreveram a reversão do comunismo em Cuba, do chavismo na Venezuela e do regime dos aiatolás no Irã como uma "incrível sequência de vitórias". Outra publicação compartilhada por ele descrevia a queda do governo cubano como um "sonho indescritível", especialmente para cubano-americanos mais velhos.

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O ex-presidente chegou a sugerir que o secretário de Estado Marco Rubio poderia ser o presidente de Cuba, respondendo "Isso me parece bom" a um comentário de um seguidor. Sem fornecer detalhes concretos, mas em tom claramente ameaçador, Trump aconselhou que Cuba fizesse um acordo com os Estados Unidos "antes que seja tarde".

Contexto histórico: embargo de seis décadas e crise atual

As ameaças de Trump se inserem em um contexto de embargo econômico completo mantido pelos EUA contra Cuba há mais de 60 anos. Imposto pelo presidente John F. Kennedy em fevereiro de 1962, o bloqueio foi reforçado ao longo das décadas e permanece em vigor, sendo condenado anualmente pela Assembleia Geral da ONU.

Em outubro de 2024, a resolução pelo fim do embargo foi aprovada por 187 países, com apenas dois votos contrários: Estados Unidos e Israel. O bloqueio restringe navios que atracam em portos cubanos e impede transações comerciais de empresas com mais de 10% de capital estadunidense.

Cuba vive atualmente seu pior momento econômico desde a Revolução de 1959, com escassez generalizada, cortes de energia e colapso da rede de proteção social. O embargo é considerado uma causa central, embora não única, desta crise profunda.

Crise na Venezuela amplia pressão sobre a ilha

A recente operação contra Maduro e o bloqueio de petroleiros venezuelanos pelos EUA aumentaram as ameaças à frágil economia cubana. A Venezuela era um fornecedor crucial de petróleo para a ilha, enviando uma média de 27.000 barris por dia entre janeiro e novembro de 2023, cobrindo cerca de 50% do déficit energético cubano.

A perda desse suprimento é devastadora e alimenta o temor de que os cortes de energia, já frequentes, se agravem ainda mais. Além disso, os EUA exigiram a retirada de assessores e militares cubanos da Venezuela, uma demanda que se estende a funcionários de China, Rússia e Irã, conforme pedido do secretário de Estado Marco Rubio.

Trump afirmou em suas publicações que o apoio financeiro e energético de Caracas a Havana havia cessado: "A Venezuela agora tem os EUA, as forças armadas mais poderosas do mundo. Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba, nada!".

O atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, no poder desde 2018 e reeleito em 2023 para um segundo e último mandato, enfrenta assim uma pressão externa renovada em meio a uma crise interna sem precedentes. A retórica de Trump indica um possível endurecimento da política dos EUA em um segundo mandato, caso ele vença as eleições de 2024.

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