Vereador arranca microfone de vereadora que citou áudio de Flávio Bolsonaro
Vereador arranca microfone de vereadora em Porto Alegre

Um episódio de violência política marcou a sessão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre na última quarta-feira, 13 de julho. Durante um debate sobre o Plano Diretor da cidade, a vereadora Juliana de Souza (PT) teve o microfone arrancado de sua mão pelo colega Mauro Pinheiro (PP) após citar os áudios do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) enviados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O contexto da discussão

A discussão ocorreu em meio aos debates finais da atualização do Plano Diretor de Porto Alegre, projeto polêmico do governo Sebastião Melo (MDB) que dominou os trabalhos legislativos nos últimos meses. A temperatura do plenário, já elevada devido às divergências sobre a proposta, subiu ainda mais com a revelação do áudio vazado envolvendo Flávio Bolsonaro.

Na ocasião, a vereadora Comandante Nádia (PL) discursava contra parlamentares de esquerda, acusando-os de “terrorismo político” e afirmando que as emendas da oposição espalhariam “medo” e “pânico” sobre o futuro da cidade. Juliana pediu a palavra para um aparte e afirmou que a fala da colega fugia do tema em debate. Em seguida, mencionou a divulgação do áudio: “A vereadora deu um espetáculo de fuga ao tema da emenda, porque ela talvez esteja nervosa porque acabou de vazar um áudio do seu presidente pedindo dinheiro para o Vorcaro e esse tema...”

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Foi nesse momento que Mauro Pinheiro retirou o microfone da mão de Juliana, provocando reação imediata no plenário e a interrupção temporária dos trabalhos.

Reação e acusação de violência de gênero

Após a sessão, o PT informou que ingressará com representação na Comissão de Ética Parlamentar contra Pinheiro. Juliana classificou o ato como violência política de gênero. “Se um parlamentar toma essa atitude em um espaço público contra uma mulher, o que faz num espaço privado? O que comunica como exemplo para homens e meninos? Vão assumindo a violência com naturalidade”, questionou a vereadora.

Ela também destacou o contexto mais amplo: “Precisamos registrar a relação que esse episódio tem com o próprio escalonamento da violência contra as mulheres. Nos últimos anos, temos observado o crescimento dos feminicídios no nosso estado. Esse se torna um espaço de promoção do ódio e da misoginia por parte de figuras públicas.”

Defesa de Mauro Pinheiro

O vereador Mauro Pinheiro emitiu nota negando qualquer motivação de gênero. Segundo ele, o episódio “não teve qualquer relação com a condição de mulher da parlamentar envolvida” e foi estritamente regimental, para preservar a ordem dos trabalhos. Ele afirmou que sua atuação sempre foi pautada pelo diálogo democrático e pelo respeito institucional, e que a acusação de violência política de gênero é uma distorção narrativa.

Pinheiro, que se descreve como combatente contra “a esquerda e o comunismo”, já participou de manifestações a favor da anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro e contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Próximos passos

O PT protocolou representação na Comissão de Ética da Câmara contra Mauro Pinheiro. “Decidimos tomar as medidas cabíveis para que não haja uma naturalização de violência política de gênero como método. Se não tomarmos uma medida nesse momento, vai se naturalizando”, declarou Juliana. O caso segue em análise.

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