Senadores Democratas dos EUA pressionam por investigação sobre ataque a escola no Irã
Senadores dos EUA pressionam por investigação sobre ataque no Irã

Senadores Democratas dos EUA pressionam governo por investigação completa sobre ataque a escola no Irã

Quase todos os senadores do Partido Democrata nos Estados Unidos assinaram uma carta dirigida ao Pentágono exigindo explicações detalhadas sobre o bombardeio que atingiu uma escola feminina no Irã em 28 de fevereiro. No documento enviado nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, os parlamentares solicitam uma investigação rápida e completa sobre o episódio e sobre outras operações militares que possam ter causado vítimas civis.

Carta reúne 46 assinaturas e menciona especificamente ataque em Minab

A carta reúne 46 assinaturas e menciona especificamente o ataque a uma escola na cidade de Minab, no sul do país, ocorrido no primeiro dia da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra território iraniano. "Os resultados deste ataque à escola são horríveis. A maioria das vítimas fatais eram meninas entre 7 e 12 anos de idade", afirmam os senadores no texto.

Nem Washington nem o governo israelense assumiram formalmente a responsabilidade pelo bombardeio, embora investigações preliminares e análises independentes indiquem que o bombardeio partiu de forças americanas. Além de cobrar esclarecimentos sobre a autoria da operação, os parlamentares querem saber:

  • Se forças americanas participaram diretamente do ataque
  • Qual foi o papel de ferramentas de inteligência artificial no planejamento das ações militares
  • Detalhes sobre os protocolos de verificação de alvos civis

Divisão partidária no Senado americano

Nenhum senador republicano assinou a carta. O partido do presidente Donald Trump, que controla 53 das 100 cadeiras do Senado, tem apoiado amplamente a estratégia da Casa Branca no conflito, com poucas manifestações de dissidência. Todos os integrantes da bancada democrata, com exceção de John Fetterman — que também não assinou a carta — votaram a favor de uma proposta bipartidária que buscava interromper a campanha aérea e exigir que qualquer ação militar contra o Irã fosse previamente autorizada pelo Congresso.

Investigação preliminar aponta responsabilidade americana

Uma investigação militar preliminar citada pelo The New York Times indica que forças americanas provavelmente foram responsáveis pelo bombardeio que atingiu a escola primária Shajarah Tayyebeh, deixando ao menos 175 mortos — muitos deles crianças. Segundo a apuração do jornal, o ataque pode ter sido resultado de um erro de direcionamento durante bombardeios contra uma base iraniana próxima.

Autoridades ouvidas pela reportagem afirmaram que militares dos Estados Unidos teriam utilizado coordenadas desatualizadas para definir o alvo do ataque. O prédio da escola ficava ao lado de um complexo operado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e teria sido atingido durante bombardeios simultâneos contra a instalação militar.

Análises independentes corroboram versão

A análise militar se soma a outras investigações independentes que chegaram a conclusões semelhantes. Um levantamento do The New York Times, baseado em:

  1. Imagens de satélite
  2. Vídeos verificados
  3. Publicações em redes sociais

E uma investigação da Reuters também indicam que o ataque partiu das forças americanas. De acordo com registros arquivados do site oficial da escola, o prédio fica ao lado de um complexo operado pela Guarda Revolucionária, força militar subordinada ao líder supremo do Irã.

Contexto geográfico e temporal do ataque

O jornal americano aponta que o edifício, cheio de estudantes (a semana letiva no país começa aos sábados) foi atingido durante uma série de bombardeios simultâneos contra uma base naval próxima. Autoridades americanas reconheceram que, naquele momento, forças dos Estados Unidos realizavam ataques contra alvos navais na região do Estreito de Ormuz, onde fica a instalação militar.

Análises de vídeos e fotos divulgados nas redes sociais, verificadas por especialistas em geolocalização, indicam que a escola e a base naval próxima foram atingidas praticamente ao mesmo tempo, por volta das 11h30 no horário local (5h30 em Brasília). Segundo a Reuters, forças israelenses e americanas dividiram os alvos da campanha militar contra o Irã por região e tipo de instalação.

Enquanto Israel concentrou seus ataques em bases de lançamento de mísseis no oeste do país, os Estados Unidos ficaram responsáveis por alvos semelhantes e pelo aparato naval iraniano no sul — área onde fica a escola atingida. A iniciativa dos senadores democratas ocorre em meio ao embate político em Washington sobre a condução da guerra, com crescentes questionamentos sobre os protocolos militares que resultaram em tantas vítimas civis.