Irã: ONG relata 2.000 mortes em protestos; ONU horrorizada e países pressionam
Protestos no Irã: ONG relata 2.000 mortes e ONU condena repressão

Uma nova onda de protestos que varre o Irã desde o final de dezembro já teria causado a morte de aproximadamente 2.000 manifestantes, segundo informações divulgadas pela organização de direitos humanos Hrana, sediada nos Estados Unidos. A cifra alarmante, que havia sido passada anteriormente por um membro do regime à agência Reuters, foi confirmada nesta semana, enquanto a repressão se intensifica e a comunidade internacional reage.

Repressão violenta e apagão de informações

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou na terça-feira, 13, estar "horrorizado" com o aumento da violência contra os manifestantes. Em um comunicado, Turk foi enfático: "Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos".

A verificação independente dos números é extremamente dificultada por um apagão quase total da internet imposto pelas autoridades iranianas. Segundo a ONG Netblocks, o bloqueio do acesso à rede já ultrapassou 108 horas. Defensores de direitos humanos acusam o regime de tentar censurar a divulgação de imagens e informações sobre a real dimensão dos protestos.

Outra organização, a Iran Human Rights, com base na Noruega, divulgou na segunda-feira, 12, uma estimativa de pelo menos 648 mortes, mas alertou que o número real pode ser muito maior, podendo chegar a 6.000 vítimas. Um jornalista da AFP relatou que, apesar do bloqueio da internet, a conexão telefônica internacional foi restabelecida na terça-feira.

Pressão internacional se intensifica contra Teerã

A atual onda de manifestações é considerada um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979. Em resposta à violenta repressão, vários países tomaram medidas diplomáticas para pressionar o governo iraniano.

Espanha, Finlândia e Bélgica convocaram os embaixadores do Irã em seus territórios para expressar repúdio formal. Os Estados Unidos anunciaram a imposição de tarifas de 25% a quem comercializar com o país. O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, durante viagem à Índia, declarou acreditar que a teocracia iraniana "vive seus últimos dias".

Merz foi além: "Quando um regime só consegue se manter no poder por meio da violência, então ele está, de fato, chegando ao fim. A população agora está se levantando contra esse regime".

Reações contraditórias e cenário regional delicado

O Catar alertou que uma escalada militar entre EUA e Irã teria consequências graves para a região, após Washington ameaçar realizar ataques em resposta à repressão. Em uma reação simbólica nas redes sociais, a conta oficial do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, compartilhou uma charge que mostra o ex-presidente americano Donald Trump como um sarcófago destruído, com a frase: "Ele também será derrubado".

No entanto, no dia seguinte, o governo iraniano abaixou o tom e afirmou manter o diálogo aberto com os Estados Unidos. Os protestos, que começaram inicialmente em resposta à alta dos preços, rapidamente se transformaram em um movimento de contestação aos governantes religiosos no poder há mais de 45 anos.

O cenário é particularmente delicado para o regime, pois ocorre em um momento em que a Rússia, sua principal aliada, está envolvida na guerra na Ucrânia, e outros parceiros regionais, como o ex-ditador sírio Bashar al-Assad e o grupo Hezbollah no Líbano, enfrentaram recentes derrotas e perdas significativas.