Mojtaba Khamenei: novo líder supremo do Irã está 'são e salvo' após rumores sobre ferimentos
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, permanece sem aparecer publicamente desde sua nomeação no último domingo (8), gerando intensa especulação internacional sobre seu paradeiro e estado de saúde. Contudo, uma declaração oficial veio para acalmar os rumores: Yousef Pezeshkian, filho do presidente Masoud Pezeshkian e assessor do governo, afirmou através do Telegram nesta quarta-feira (11) que o dirigente está "são e salvo".
Primeira declaração oficial dissipa incertezas
Esta é a primeira manifestação de um responsável iraniano sobre o assunto, após vários dias de boatos e conjecturas acerca do destino de Mojtaba Khamenei. O religioso de 56 anos não se apresentou em público nem concedeu entrevistas desde que foi escolhido para suceder seu pai, Ali Khamenei, morto nos bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e Israel no primeiro dia do conflito, em 28 de fevereiro.
"Ouvi a notícia de que Mojtaba Khamenei tinha ficado ferido. Perguntei a amigos que têm contatos e me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo", escreveu Yousef Pezeshkian na plataforma de mensagens, oferecendo um alívio momentâneo às tensões que pairavam sobre o país.
Ferimentos no ataque que matou a família
Relatos anteriores indicavam que Mojtaba Khamenei teria sido ferido durante o mesmo bombardeio que vitimou seu pai, sua mãe e sua esposa. O embaixador iraniano no Chipre, Alireza Salarian, confirmou ao jornal The Guardian que o líder "ficou ferido neste bombardeio" e acrescentou que "acredita" que "ele está no hospital, porque está ferido".
"Ouvi dizer que ele tem ferimentos nas pernas, na mão e no braço", detalhou o diplomata ao periódico britânico. Já o The New York Times, citando três funcionários iranianos, informou que Khamenei sofreu lesões "principalmente nas pernas", mas "está em segurança em um local de alta proteção, embora com possibilidades de comunicação limitadas".
Alvo prioritário para Israel e Estados Unidos
A ausência pública do novo chefe de Estado é atribuída não apenas aos possíveis ferimentos, mas também ao fato de ele representar um alvo prioritário para Israel e Estados Unidos. O jornal americano citou ainda dois responsáveis militares israelenses que sugeriram que os serviços de inteligência de Israel estavam cientes desses ferimentos antes mesmo da designação de Mojtaba Khamenei como novo líder.
Emile Hokayem, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com sede em Londres, declarou que supõe que Khamenei "permanecerá em um bunker durante muito tempo porque viu o que aconteceu com seu pai, a esposa e sua mãe: todos mortos".
"Eliminá-lo rapidamente certamente deve ser uma prioridade para Israel. Pois, se sobreviver, ele se torna um tótem, um testemunho da resiliência do sistema", apontou o especialista em segurança internacional.
Presença simbólica e divisão interna
Embora não tenha sido visto pessoalmente, a imagem de Mojtaba Khamenei está presente em inúmeros cartazes e faixas nas ruas de Teerã, conforme observaram jornalistas da AFP. Em uma dessas representações, ele recebe simbolicamente a bandeira nacional das mãos de seu pai, Ali, sob o olhar do fundador da república islâmica, Ruhollah Khomeini.
Milhares de simpatizantes do governo gritaram seus nomes em várias manifestações organizadas no centro da capital iraniana, como a realizada nesta quarta-feira para os funerais de autoridades mortas nos bombardeios. No entanto, os gritos "Morte a Mojtaba!", proferidos à noite por moradores anônimos das janelas, revelam a profunda repulsa de muitos iranianos.
Perfil conservador e histórico repressivo
Devido à sua proximidade com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, Mojtaba Khamenei é considerado uma figura conservadora. Ele tem sido apresentado como um dos responsáveis pela repressão às diversas ondas de manifestações contra o governo desde 2009, o que contribui para a polarização em torno de sua liderança.
Nas redes sociais, alguns iranianos perguntavam em tom de brincadeira: "Onde ele está?", especulando sobre locais em que poderia ter se escondido para escapar das bombas. Enquanto isso, o poder está sendo personificado por outros dirigentes, como o chefe do Conselho Superior de Segurança do Irã, Ali Larijani, ou o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Advertência de Washington e futuro incerto
Antes de ser escolhido no domingo, o presidente americano, Donald Trump, alertou que "não aceitava" Mojtaba Khamenei como líder supremo e que, sem a aprovação de Washington, "não durará muito tempo". Esta postura agressiva dos Estados Unidos adiciona mais uma camada de complexidade ao já turbulento cenário político do Irã.
A televisão estatal iraniana apresentou Mojtaba Khamenei como um "veterano ferido da guerra do Ramadã", sem dar detalhes, aludindo ao conflito atual que irrompeu durante o mês sagrado do jejum muçulmano. Esta narrativa busca construir uma imagem de resistência e sacrifício em torno do novo líder, enquanto o país enfrenta desafios internos e externos sem precedentes.
