Mojtaba Khamenei assume como novo líder supremo do Irã após morte do pai em conflito
A Assembleia de Peritos do Irã, corpo clerical composto por 88 membros responsável pela escolha do líder supremo do país, anunciou oficialmente a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei. O antigo líder faleceu no primeiro dia da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, abrindo caminho para uma transição de poder que mantém a dinastia Khamenei no comando do regime teocrático.
Reações divididas na sociedade iraniana
Imediatamente após o anúncio, multidões favoráveis ao governo tomaram as ruas de diversas cidades iranianas para celebrar a indicação. Em Teerã, Qom e Mashhad — cidade natal de Mojtaba — manifestantes acenavam bandeiras da República Islâmica e expressavam apoio ao novo líder. "Estamos muito felizes. Graças à Assembleia de Peritos", declarou uma mulher ao canal estatal IRINN, enquanto outra acrescentou: "Não poderia ser melhor. Nossos corações estão entusiasmados."
Contudo, muitos iranianos demonstraram ceticismo e preocupação em declarações à BBC. Um homem na casa dos 30 anos em Teerã afirmou que "mesmo as menores chances de mudança não estão mais no sistema", destacando que a escolha de alguém tão próximo do falecido líder significa que "tudo ficará mais ou menos igual". Uma jovem na casa dos 20 anos foi mais direta: "Ele será ainda mais opressor do que o pai", expressando temor de que a vida sob seu governo possa ser ainda mais difícil para a população comum.
Perfil do novo líder e expectativas de continuidade
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, manteve um perfil reservado durante o governo do pai, mas rumores sobre sua influência nos bastidores do poder circulam há anos. Telegramas diplomáticos americanos divulgados pelo WikiLeaks já o descreviam como "o poder por trás dos mantos" no regime iraniano. Sua proximidade com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) e acusações de interferência em eleições presidenciais reforçam a expectativa de que ele dará continuidade às políticas linha-dura de Ali Khamenei.
O novo líder também é associado ao comando da força paramilitar Basij, com aproximadamente 450 mil membros conhecidos por sua lealdade ao regime e métodos brutais. Um morador de Teerã na casa dos 30 anos alertou: "Ele é vingativo. Eles mataram seu pai e ele não irá perdoar. Se não conseguir vingança contra os Estados Unidos, irá conseguir conosco, pessoas comuns."
Cenário internacional tenso e posicionamentos externos
O anúncio da sucessão ocorre em meio a um cenário internacional extremamente tenso, com o Irã envolvido em conflito direto com Estados Unidos e Israel. Poucas horas antes da confirmação da nomeação, o presidente americano Donald Trump declarou que desejava participar da seleção do novo líder e que Mojtaba Khamenei seria "inaceitável", acrescentando que, sem sua aprovação, quem assumisse "não iria durar muito". Israel também emitiu alertas, afirmando que "continuaria a buscar qualquer sucessor" do regime iraniano.
Nas redes sociais, vídeos verificados pela BBC mostram tanto cânticos de "morte a Mojtaba" e "morte ao lacaio" em oposição ao novo líder, quanto expressões de "Allahu Akbar" (Deus é o maior) em apoio. Essa divisão reflete a complexidade do momento político no país, onde setores da população manifestam abertamente sua insatisfação enquanto o aparato estatal mobiliza seus apoiadores.
Perspectivas para o futuro imediato
Analistas apontam que a nomeação de Mojtaba Khamenei representa a consolidação do poder nas mãos de uma figura profundamente enraizada no establishment iraniano. Um homem em Karaj, cidade próxima a Teerã, resumiu o sentimento de muitos: "Isso significa que nada irá mudar. É o mesmo caminho, talvez até pior." Outro acrescentou: "Não acho que ele irá durar", refletindo tanto as pressões internas quanto as ameaças externas que o novo líder enfrentará.
Enquanto isso, Mojtaba Khamenei ainda não fez nenhum discurso público nem apareceu diante das câmeras desde sua nomeação. Seu silêncio inicial contrasta com a agitação nas ruas e a intensa movimentação política, deixando em aberto como ele conduzirá um país em guerra e profundamente dividido. A continuidade do regime linha-dura parece assegurada, mas os desafios de governar em um contexto de conflito internacional e descontentamento popular serão imensos.



