Pesquisas revelam que maioria dos americanos rejeita ataques dos EUA contra o Irã
Diferentes levantamentos de opinião pública nos Estados Unidos apontam que a população americana desaprova a ofensiva militar conjunta com Israel contra o Irã, que completou seu 11º dia nesta terça-feira, 10 de março de 2026. Os dados mostram um cenário de significativa insatisfação popular, com níveis de apoio muito abaixo dos registrados no início de outros conflitos históricos protagonizados pelo país.
Dados das pesquisas e desconfiança na liderança
Um estudo realizado pela agência de notícias Reuters em parceria com o instituto Ipsos, entre 28 de fevereiro e 1º de março, revelou que apenas 27% dos americanos apoiavam os ataques. Em contraste, uma pesquisa da emissora conservadora Fox News registrou uma aprovação maior, de 50%. Já uma consulta encomendada pelo canal CNN e conduzida pela SSRS descobriu que 59% dos cidadãos são contrários ao conflito no Oriente Médio.
Os números indicam uma profunda desconfiança na capacidade do presidente Donald Trump de tomar decisões adequadas em relação à guerra. Cerca de 60% dos entrevistados afirmam não acreditar que ele tenha uma estratégia bem definida para lidar com o Irã. Além disso, 62% defendem que qualquer nova ação militar dos Estados Unidos deveria ser previamente aprovada pelo Congresso, refletindo um desejo por maior controle democrático sobre as operações bélicas.
Comparação com conflitos históricos e tendência de queda
Mesmo no cenário mais favorável, o apoio atual é significativamente menor do que o registrado no início de outros conflitos históricos protagonizados por Washington. Após o ataque japonês a Pearl Harbor, por exemplo, 97% dos americanos apoiaram a entrada de seu país na Segunda Guerra Mundial, segundo dados do instituto Gallup.
Um cenário semelhante foi observado após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Quando o então presidente George W. Bush enviou soldados para o Afeganistão, iniciando a guerra mais longa da história americana, 92% da população aprovava a decisão. Mesmo a Guerra do Iraque, que posteriormente se tornaria uma das mais impopulares, começou com 76% de apoio.
Conflitos anteriores mostram ainda que a aprovação popular costuma cair com o passar do tempo. No início da Guerra do Vietnã, cerca de 60% dos americanos não consideravam os combates um erro. No entanto, à medida que as baixas militares aumentaram, a opinião pública mudou e, em 1969, a maioria da população já avaliava que a guerra havia sido um equívoco. A diferença é que, desta vez, a desaprovação disparou já na primeira semana, indicando uma reação mais rápida e crítica da sociedade.
Contexto atual e implicações políticas
Este cenário reflete uma tendência de queda de apoio popular ao longo do tempo em guerras americanas, mas com uma particularidade: a insatisfação emergiu de forma imediata e intensa. A demanda por aprovação congressional e a desconfiança na liderança presidencial sugerem um ambiente político mais polarizado e cauteloso em relação a intervenções militares.
As pesquisas destacam não apenas a oposição à ofensiva contra o Irã, mas também um questionamento mais amplo sobre a condução da política externa e a transparência nas decisões de guerra. Esses fatores podem influenciar futuras ações governamentais e o debate público sobre o envolvimento dos Estados Unidos em conflitos internacionais.
