Macron defende ações duras da Europa contra Trump por Groenlândia em Davos
Macron defende ações da Europa contra Trump por Groenlândia

Macron defende resposta firme da Europa contra ameaças de Trump sobre Groenlândia

Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente francês Emmanuel Macron fez um discurso contundente nesta quinta-feira, 20 de janeiro de 2026, criticando duramente a retórica do presidente americano Donald Trump sobre a Groenlândia. Macron, usando óculos escuros devido a uma condição ocular, afirmou que não é momento para imperialismos e colonialismos, defendendo uma atuação conjunta e firme da Europa para frear as investidas dos Estados Unidos no território ártico.

Mecanismo anti-coerção da UE como ferramenta de defesa

O líder francês destacou que a União Europeia possui instrumentos poderosos para se defender quando não é respeitada. O mecanismo anti-coerção da UE é um instrumento poderoso, e não devemos hesitar em utilizá-lo no ambiente difícil de hoje, afirmou Macron, referindo-se à ferramenta criada para limitar o acesso ao mercado europeu a parceiros comerciais hostis. Ele enfatizou que a Europa tem ferramentas muito fortes agora e precisa usá-las quando as regras do jogo não são respeitadas.

Von der Leyen reforça defesa da soberania europeia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também usou sua participação em Davos para responder às ameaças de Trump. Em discurso na terça-feira, 20, ela criticou a imposição de tarifas como método de coerção, defendendo a soberania da Groenlândia e afirmando que a Europa deve buscar mais independência em relação aos Estados Unidos. Tarifas são um erro, especialmente entre aliados de longa data, disse Von der Leyen, lembrando que o bloco europeu chegou a um acordo comercial com Washington no ano passado e não deveria ser alvo de taxações arbitrárias.

Ampliação das tensões e ameaças comerciais

As declarações dos líderes europeus ocorrem em um contexto de crescentes tensões. No último sábado, Trump anunciou nas redes sociais que aplicaria tarifas de 10% sobre vários países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se opusessem ao plano americano de comprar a Groenlândia, com aumento para 25% em junho. Os países afetados incluem:

  • Dinamarca
  • Noruega
  • Suécia
  • França
  • Alemanha
  • Reino Unido
  • Países Baixos
  • Finlândia

Paralelamente, Trump enviou uma carta ao primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Store renovando a intenção de tomar controle da Groenlândia, território dinamarquês semiautônomo rico em recursos naturais, e vinculando a questão ao fato de não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz.

Reações europeias e preocupações estratégicas

O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, expressou preocupação com as ações de Trump, afirmando que o presidente americano cruzou linhas vermelhas. De Wever criticou a postura leniente inicial da Europa na esperança de obter apoio para a guerra na Ucrânia, mas alertou que agora é necessário escolher entre o amor-próprio e a submissão. Von der Leyen complementou que mergulhar em uma espiral descendente só contribuiria para as adversidades que ambos os lados estão comprometidos em evitar.

O cenário em Davos revela uma Europa unida na defesa de sua soberania e disposta a usar todos os mecanismos disponíveis para proteger seus interesses frente às pressões americanas, marcando um momento crucial nas relações transatlânticas.