Governo Lula mantém apoio a Michelle Bachelet para ONU, mesmo sem Chile
Lula mantém apoio a Bachelet para ONU sem apoio do Chile

Governo brasileiro segue firme no apoio a Michelle Bachelet para liderar a ONU

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuará defendendo a candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa posição se mantém mesmo após o governo chileno, atualmente comandado pelo ultradireitista José Antonio Kast, ter retirado oficialmente seu apoio à chilena. O anúncio foi feito na segunda-feira (23), com Santiago alegando que divergências com atores-chave no processo tornaram a candidatura inviável.

Disputa internacional e apoio latino-americano

A escolha de Bachelet, que seria a primeira mulher a chefiar a ONU em sua história, contava inicialmente com o apoio conjunto do Brasil e do México, sendo impulsionada por Lula e pelo antecessor de Kast, o esquerdista Gabriel Boric. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, já confirmou que manterá o endosso a Bachelet. No entanto, segundo auxiliares de Lula, a ausência do apoio chileno pode dificultar a conquista do cargo e será usada como argumento por adversários na disputa.

A corrida pela Secretaria-Geral da ONU inclui outros três candidatos: Rebeca Grynspan, escolhida pela Costa Rica; o senegalês Macky Sall, candidato do Burundi; e Rafael Grossi, apoiado pela Argentina de Javier Milei. O primeiro debate está agendado para a semana de 20 de abril, marcando o início das discussões formais.

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Trajetória de Bachelet e contexto político

Michelle Bachelet tem uma trajetória destacada: foi a única mulher a presidir o Chile (2014-2018), ocupou o cargo de diretora-executiva da ONU Mulheres e serviu como alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos de 2018 a 2022. Se eleita, ela sucederia o atual secretário-geral, Antonio Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.

O apoio de Lula a Bachelet foi declarado no momento da inscrição dela ao cargo. Esse posicionamento ocorre em um contexto de relações tensas com o Chile, especialmente após a posse de Kast no último dia 11. Lula havia confirmado presença na cerimônia de posse, mas cancelou de última hora, enviando o chanceler Mauro Vieira como representante. O cancelamento não foi oficialmente esclarecido pelo governo brasileiro, que atribuiu a mudança a um momento sensível no Brasil, com alta de preços do óleo diesel devido à guerra no Irã.

Durante a visita ao Chile, Vieira entregou a Kast uma carta-convite para visitar o Brasil. A agenda previa um encontro bilateral em Viña del Mar, com discussões sobre comércio exterior, investimentos e turismo, seguido da cerimônia de posse no Congresso Nacional chileno. A ausência de Lula foi criticada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que compareceu ao evento e acusou o petista de ter "ódio no coração". Integrantes do governo negaram qualquer relação entre a presença de Bolsonaro e o cancelamento.

Este cenário reflete as complexidades da política internacional e a determinação do Brasil em apoiar figuras progressistas, mesmo diante de obstáculos diplomáticos. A manutenção do apoio a Bachelet demonstra o compromisso do governo Lula com a igualdade de gênero e os direitos humanos em fóruns globais.

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