Irã confirma 5.000 mortes em protestos, incluindo 500 agentes de segurança
Irã confirma 5.000 mortes em protestos

As autoridades do Irã confirmaram oficialmente um número alarmante de vítimas durante os protestos que abalaram o país. Segundo informações de um oficial iraniano à agência Reuters, pelo menos 5.000 pessoas perderam a vida nos confrontos, sendo que aproximadamente 500 delas eram membros das forças de segurança.

Detalhes dos confrontos e acusações

O oficial, que preferiu não se identificar devido à sensibilidade do assunto, atribuiu as mortes de "iranianos inocentes" a "terroristas e manifestantes armados". Ele também apontou o dedo para forças externas, acusando Israel e grupos armados no exterior de apoiarem e equiparem os manifestantes. O Irã tem o hábito de culpar inimigos estrangeiros por distúrbios internos.

Os confrontos mais intensos e com o maior número de fatalidades ocorreram nas áreas curdas do noroeste do país, região onde separatistas curdos mantêm atividade. Apesar da gravidade do número, o mesmo oficial afirmou que a contagem final de mortos não deve aumentar de forma drástica a partir de agora.

Discurso de repressão do líder supremo

Em um tom de confronto, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ordenou que as autoridades agissem com rigor contra os manifestantes. Durante um evento religioso, Khamenei foi enfático ao dizer que é obrigação "quebrar as costas dos insurgentes" e que não haverá perdão para criminosos, sejam domésticos ou internacionais.

O procurador de Teerã, Ali Salehi, ecoou a linha dura do governo. Em declaração à TV estatal, ele descreveu a resposta estatal aos protestos como "firme, dissuasiva e rápida".

Origens dos protestos e números divergentes

Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro, impulsionados inicialmente por comerciantes insatisfeitos com a crise econômica. Rapidamente, o movimento se transformou em uma mobilização de caráter político, direcionada contra o regime teocrático do país. As autoridades iranianas classificaram toda a mobilização como atos "terroristas".

Enquanto o governo iraniano fala em 5.000 mortes, organizações de direitos humanos apresentam números diferentes. O grupo HRANA, sediado nos Estados Unidos, relatou um total de 3.308 mortos confirmados. Além disso, a organização monitora outros 4.382 casos que ainda estão sob revisão e confirmou mais de 24.000 prisões relacionadas aos protestos.

A crise também ganhou um tom geopolítico. Khamenei criticou veementemente o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, por ameaçar atacar o Irã, responsabilizando-o pelas mortes e danos. O líder iraniano descreveu a situação como parte de uma conspiração americana para subjugar o país.