Brasil detecta retorno de influência bolsonarista na Casa Branca sobre classificação de facções
Influência bolsonarista retorna na Casa Branca sobre facções

Brasil identifica retomada da influência bolsonarista em decisões da Casa Branca sobre facções

Diplomatas brasileiros e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva detectaram o retorno da influência de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nas decisões da Casa Branca, especialmente em torno da possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Articulação entre extremistas trumpistas e direita brasileira

A reclassificação das facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como terroristas é vista pelo governo brasileiro como resultado de uma articulação entre aliados de Bolsonaro e figuras radicais do movimento Maga (Make America Great Again) do ex-presidente Donald Trump. O objetivo seria criar uma armadilha política para Lula em ano eleitoral.

Na prática, essa classificação abriria caminho para intervenções militares norte-americanas em território brasileiro, ferindo a soberania nacional, além de possibilitar a aplicação de sanções a instituições financeiras do país.

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Retomada da influência após fracasso do "tarifaço"

A avaliação no Palácio do Planalto e no Itamaraty é que esses grupos haviam perdido influência após o fracasso das medidas protecionistas e sanções contra autoridades brasileiras no ano passado, mas "ressuscitaram" nas últimas semanas no entorno trumpista, especialmente no Departamento de Estado comandado por Marco Rubio.

Não houve posicionamento oficial do governo brasileiro desde que se tornou pública a movimentação do Departamento de Estado para classificar as facções como terroristas. A diplomacia brasileira trabalha nos bastidores com discrição, mas em conversas reservadas, diplomatas expressam revolta com o que chamam de "balão de ensaio" por "talibãs do Maga" e aliados do governo Trump na direita brasileira.

Figuras-chave e contra-ofensiva brasileira

Entre as figuras do Maga no entorno de Trump está Darren Beattie, assessor nomeado para políticas ligadas ao Brasil, com histórico de ataques ao STF e ao governo brasileiro. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes autorizou encontro entre Beattie e Bolsonaro na prisão, com data ainda em discussão.

O governo brasileiro montou uma contra-ofensiva para evitar a medida. No sábado, o chanceler Mauro Vieira telefonou para Marco Rubio, pedindo que não tome decisões sobre o tema antes do encontro entre Lula e Trump, ainda sem data marcada. Lula também conversou com os presidentes da Colômbia e do México, países que possuem facções qualificadas como terroristas pelos EUA.

Processo técnico e decisão política

De acordo com funcionários do governo americano, a parte técnica do processo está pronta. O próximo passo seria o envio ao Congresso, decisão de caráter político nas mãos de Marco Rubio. Caso aprovado no Congresso, a medida precisaria do aval final de Donald Trump.

A Embaixada do Brasil em Washington atua nos bastidores, com encontros com deputados e senadores, principalmente democratas, para evitar a aprovação caso Rubio envie a proposta ao Congresso.

Teste para relação Lula-Trump e contexto eleitoral

Integrantes do governo avaliam que a associação entre o atraso da reunião entre Lula e Trump e a nova onda de influência dos radicais do Maga pode esfriar a relação entre os presidentes, descrita anteriormente como de "química excelente".

O ideal, na leitura de fontes da diplomacia, é que o encontro ocorra antes do ciclo eleitoral começar para afastar ruídos. O Ministério da Justiça preparou um dossiê com iniciativas de combate ao crime organizado para apresentar a Trump.

A diplomacia brasileira identificou a tática de usar o tema da segurança pública para provocar atritos entre Brasil e EUA já em outubro do ano passado, após megaoperação no Rio de Janeiro. Desde então, o governo brasileiro passou a pautar o combate ao crime organizado como tema central nas conversas com Trump, defendendo cooperação em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e recuperação de ativos criminosos.

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A decisão do governo americano sobre como classificar as facções brasileiras servirá como termômetro da postura da Casa Branca em relação ao governo Lula até as eleições de outubro, especialmente considerando que a popularidade do presidente brasileiro caiu enquanto Flávio Bolsonaro subiu nas pesquisas.