Conflito no Oriente Médio força desistência de atleta iraniano em Jogos Paralímpicos de Inverno
O único atleta que representaria o Irã nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 foi obrigado a desistir devido à guerra no Oriente Médio, que impediu sua viagem segura à Itália. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, pelo Comitê Paralímpico Internacional, gerando frustração no cenário esportivo mundial.
Fechamento do espaço aéreo bloqueia participação
O esquiador cross-country Aboulfazl Khatibi Mianaei, de 23 anos, não conseguiu viajar devido ao fechamento do espaço aéreo iraniano, causado pelos recentes bombardeios de Israel e Estados Unidos sobre Teerã e outras regiões do país. As forças iranianas retaliaram com lançamentos de mísseis, mergulhando a região em caos e cancelando quase 14 mil voos na área desde o último sábado, segundo dados do portal Flightradar24.
O presidente do CPI, Andrew Parsons, expressou profunda decepção: "É realmente decepcionante para o esporte mundial, e sobretudo para Aboulfazl Khatibi, que ele não possa participar em condições de segurança de sua terceira edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno". Parsons destacou que a organização trabalhou incansavelmente com o comitê iraniano para encontrar rotas alternativas, mas o risco para a vida humana se mostrou excessivo.
Impacto direto nos Jogos e no esporte
A ausência de Khatibi tem consequências imediatas:
- A bandeira iraniana não será hasteada na cerimônia de abertura em Verona.
- O número de nações representadas cai de 56 para 55 durante os dez dias de competição.
- Khatibi perde a chance de competir em duas provas de esqui cross-country, após participações em 2018 e 2022.
O conflito afetou especialmente os aeroportos iranianos, com suspensões totais em Shiraz Shahid Dastghaib e Mashhad, e apenas 1% a 2% dos voos operando em Mehrabad, Tabriz e Imam Khomeini. Esta situação deixou centenas de milhares de viajantes presos no Oriente Médio, refletindo a gravidade da crise.
Contexto do conflito e repercussões
Os Jogos Paralímpicos começam nesta sexta-feira, quase uma semana após o início dos bombardeios, que intensificaram as tensões regionais. A guerra não só impacta a segurança e a mobilidade, mas também priva atletas de oportunidades únicas, evidenciando como conflitos geopolíticos transcendem fronteiras e atingem até mesmo o universo esportivo.
A desistência de Khatibi simboliza um momento triste para o paralimpismo, destacando a vulnerabilidade dos atletas em meio a crises internacionais. O CPI continua monitorando a situação, na esperança de que futuras edições possam ocorrer com maior estabilidade e inclusão.



