EUA planejam indiciar Raúl Castro por abate de aviões em 1996
EUA planejam indiciar Raúl Castro por abate de aviões

Os Estados Unidos planejam indiciar o presidente cubano Raúl Castro, conforme informou um funcionário do Departamento de Justiça dos EUA na noite de quinta-feira (14). A possível acusação, que ainda precisa ser aprovada por um grande júri, parece iminente, segundo a fonte oficial, que falou sob condição de anonimato.

Motivo do indiciamento

A acusação contra o ex-presidente de Cuba, de 94 anos, e irmão de Fidel Castro, deve se concentrar na queda de aeronaves. Especificamente, o abate fatal, em 1996, de aviões operados pelo grupo humanitário Irmãos ao Resgate. Representantes do Ministério das Relações Exteriores de Cuba e do Departamento de Justiça dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Tensões entre Washington e Havana

A notícia do indiciamento ocorre em meio a tensões intensificadas entre os dois países. O governo Trump descreveu o atual governo cubano, liderado por comunistas, como corrupto e incompetente, pressionando por uma mudança de regime. O presidente Donald Trump tem acumulado pressão sobre a ilha, impondo efetivamente um bloqueio ao ameaçar com sanções os países que fornecem combustível a Cuba, provocando apagões e golpes em sua economia.

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A Procuradoria dos EUA para o Distrito Sul da Flórida tem supervisionado um esforço para examinar possíveis acusações criminais contra altos funcionários do governo cubano. Autoridades de ambos os países reconheceram no início deste ano que estavam em negociações, mas as tratativas pareceram fracassar em meio ao contínuo bloqueio de combustível por parte dos EUA. No entanto, na quinta-feira, o governo cubano confirmou que se encontrou com o chefe da CIA, John Ratcliffe.

Encontro com a CIA

Ratcliffe disse a oficiais de inteligência em Cuba que os EUA estavam dispostos a se engajar em questões de segurança econômica se Cuba fizesse "mudanças fundamentais", conforme um funcionário da CIA. Os Estados Unidos já utilizaram anteriormente casos criminais contra figuras políticas estrangeiras para justificar ações militares. Em janeiro, quando os militares dos EUA atacaram a Venezuela, o governo Trump descreveu a incursão como uma "operação de aplicação da lei" para levar o presidente Nicolás Maduro a Nova York para enfrentar acusações criminais. Em março, Trump ameaçou que Cuba "é a próxima" depois da Venezuela.

Reação de Cuba

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira (14) que o levantamento do "bloqueio" imposto pelos Estados Unidos seria "uma forma mais fácil" de ajudar a ilha, após a oferta de auxílio humanitário de 100 milhões de dólares (cerca de R$ 498 milhões) feita por Washington. Cuba está submetida, desde o fim de janeiro, a um bloqueio energético dos Estados Unidos e enfrenta há vários dias uma crise energética muito grave, que provoca cortes de eletricidade e crescente exasperação da população.

"Os danos poderiam ser aliviados de uma maneira mais fácil e rápida com o levantamento ou o afrouxamento do bloqueio, pois se sabe que a situação humanitária é friamente calculada e induzida" por Washington, escreveu Díaz-Canel no X. O anúncio acontece depois de o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, dizer nesta quarta-feira (14) que estava considerando aceitar a ajuda de 100 milhões de dólares oferecida pelos Estados Unidos, sob a condição de que seja distribuída através da Igreja Católica.

"Estamos dispostos a escutar as características da oferta e a forma como se materializaria", respondeu, nesta quinta, o ministro cubano no X. Os Estados Unidos afirmam que a situação em Cuba se deve à má gestão econômica interna. Nesta quarta-feira (14), o leste de Cuba sofreu um apagão maciço e Havana foi cenário de panelaços de protesto, após o anúncio do governo de que suas reservas de combustível "se esgotaram" devido ao bloqueio imposto pelos EUA.

Os apagões, habituais há meses, se agravaram nas últimas horas. Segundo dados oficiais compilados pela AFP, 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na última terça-feira. Devido à asfixia do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, as reservas de combustível de Cuba já "se esgotaram", informou o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, em declarações à televisão estatal na quarta-feira.

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Com informações da French Press e Reuters.