EUA e Irã iniciam diálogo em Omã para acordo nuclear, enquanto tensões militares aumentam no Oriente Médio
EUA e Irã negociam acordo nuclear em Omã sob ameaças de Trump

Diálogo nuclear entre EUA e Irã ocorre em Omã sob clima de tensão militar

Os Estados Unidos e o Irã marcaram para esta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, uma reunião crucial em Omã para negociações sobre um possível acordo de não proliferação de armas nucleares. O encontro acontece em um contexto de crescentes tensões regionais e ameaças públicas do presidente americano Donald Trump, que tem alertado sobre possíveis ações militares caso a diplomacia falhe.

Posições divergentes sobre o escopo das negociações

Enquanto Teerã sustenta que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins puramente energéticos, Washington, juntamente com Israel e países europeus, acusam a nação persa de tentar desenvolver uma bomba atômica. As tratativas desta sexta vêm na esteira de uma série de declarações agressivas de Trump sobre um ataque ao Irã.

A mudança do local das negociações para Omã, em vez da Turquia como inicialmente discutido, ocorreu a pedido do Irã. Segundo informações da agência Reuters, Teerã quer que as tratativas sejam uma continuação das rodadas anteriores de conversas realizadas no mesmo país do Golfo, evitando assim que as discussões se expandam para abarcar não apenas restrições ao seu programa nuclear, mas também ao desenvolvimento de mísseis.

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Ampliação militar americana na região

Nas últimas semanas, Trump despachou uma enorme armada ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, e alertou que coisas ruins aconteceriam caso um acordo não fosse alcançado. Na terça-feira 3, as tensões na região aumentaram significativamente depois que o porta-aviões abateu um drone que teria se aproximado de forma agressiva da embarcação.

Além disso, o Comando Central das Forças Armadas americanas acusou navios da Guarda Revolucionária Islâmica de importunarem um petroleiro de bandeira dos Estados Unidos no estratégico Estreito de Ormuz, aumentando ainda mais as preocupações com a segurança marítima na área.

Linhas vermelhas e participantes das negociações

Washington deseja colocar questões como o programa de mísseis balísticos iraniano na pauta, mas Teerã já alertou que não fará concessões nessa área – considerada uma linha vermelha nas negociações. É com essas armas, aliás, que o Irã ameaçou retaliar em caso de um ataque dos Estados Unidos.

Uma fonte do governo americano disse à Reuters que o genro do presidente, Jared Kushner, deve participar das conversas em Omã, bem como o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano, Abbas Araqchi. Ministros de vários outros países da região, incluindo Paquistão, Arábia Saudita, Catar, Egito e Emirados Árabes Unidos, também expressaram desejo de participar, mas a agência de notícias apurou que Teerã prefere apenas conversas bilaterais com os Estados Unidos.

Contexto político interno e regional

A crise entre Estados Unidos e Irã, nutrida ao longo do ano passado com uma guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares da nação persa, aumentou de tom diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano.

As manifestações, motivadas inicialmente pelo derretimento da moeda local, o rial, e a crise inflacionária subsequente, cresceram e passaram a pedir o fim da ditadura e a deposição do líder supremo Ali Khamenei. No auge dos atos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes e chegou a dizer que a ajuda estava a caminho.

A liderança do Irã está cada vez mais preocupada com a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos quebrar seu controle do poder, levando uma população já enfurecida de volta às ruas, de acordo com seis autoridades iranianas ouvidas pela Reuters. Em Omã, a prioridade deve ser evitar conflitos e reduzir a tensão, embora os desdobramentos permaneçam incertos.

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