As investigações sobre o escândalo do Banco Master geram crescente apreensão em Brasília e já atingem figuras centrais do cenário político nacional. Em análise no programa Ponto de Vista, o colunista Robson Bonin afirmou que o caso deve pautar a campanha eleitoral de 2026 e apontou o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, como o próximo grande alvo da Polícia Federal.
O retorno de Ciro Nogueira ao centro das suspeitas
Bonin destacou que a operação desta quinta-feira reacendeu suspeitas antigas sobre o senador Ciro Nogueira, ex-ministro de Jair Bolsonaro e atualmente aliado de Flávio Bolsonaro. O colunista relembrou que Nogueira foi citado em delações da Lava Jato e investigações envolvendo grandes empreiteiras. Embora parte dessas investigações tenha sido anulada pelo Supremo Tribunal Federal, as novas apurações indicam continuidade de relações políticas e empresariais semelhantes. “Pelas investigações da PF, ele não mudou seus métodos”, afirmou Bonin, descrevendo o parlamentar como uma “figura radioativa” nos bastidores políticos.
Impacto na direita bolsonarista
O avanço das investigações já provoca efeitos políticos dentro do campo bolsonarista. Segundo Bonin, o senador Flávio Bolsonaro, que via Ciro Nogueira como possível vice em sua chapa presidencial, passou a defender uma apuração rigorosa do caso para evitar desgaste maior para a direita. A movimentação é interpretada como tentativa de contenção preventiva diante do potencial explosivo das investigações.
O escândalo também ameaça o PT?
Bonin afirmou que o caso não se limita à oposição e pode atingir personagens ligados ao governo Lula. “Esse escândalo do Master deve pautar a campanha eleitoral em uma guerra de narrativas entre esquerda e direita”, disse. A crise promete ser uma das principais armas retóricas da disputa presidencial, em um cenário de forte polarização.
Davi Alcolumbre no radar
A análise de Bonin apontou o presidente do Senado como personagem central da nova fase do caso. Diferentes frentes investigadas pela PF passaram a citar Alcolumbre em depoimentos e delações relacionadas ao Banco Master, ao escândalo do INSS e à Operação Carbono Oculto. Investigadores intensificaram perguntas sobre o senador em diversos inquéritos, elevando a tensão no Congresso. Bonin afirmou ainda que Alcolumbre desabafou com um ministro do STF sobre o temor constante de aparecer em novas delações.
Reação do governo Lula
Segundo o relato, o Palácio do Planalto tentou conter a deterioração da relação com Alcolumbre após a derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF. Lula enviou o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, para conversar com o senador em sua residência oficial. A mensagem era de que o presidente não incentivaria investigações contra Alcolumbre. No entanto, a iniciativa teria produzido efeito contrário. “Para Alcolumbre, essa antecipação soou como uma confissão”, afirmou Bonin, acrescentando que o senador passou a acreditar que o petismo estaria por trás do ímpeto investigativo da PF após a derrota de Messias.
Perspectivas para 2026
A avaliação é de que o escândalo do Banco Master contaminará o ambiente político da eleição presidencial. Com investigações atingindo nomes associados à direita e à esquerda, o caso pode se transformar em uma das principais armas retóricas da disputa, especialmente em um cenário de forte polarização e alta rejeição dos principais grupos políticos.



