Escândalo Banco Master ameaça candidatura de Flávio Bolsonaro, diz cientista político
Escândalo Banco Master ameaça candidatura de Flávio Bolsonaro

O avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master já provoca fissuras no campo da direita e ameaça complicar a viabilidade eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o cientista político e professor da FGV Eduardo Grin afirmou que a crise envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tende a desgastar alianças políticas importantes da oposição e transformar o tema da corrupção em um dos principais focos da disputa presidencial de 2026.

Por que ninguém quer uma CPMI do Banco Master?

Na avaliação de Grin, tanto o governo Lula quanto o bolsonarismo sabem dos riscos políticos de uma CPI em pleno ano eleitoral. “Uma CPI a gente sabe como começa, mas nunca sabe como termina”, disse. Segundo ele, o principal temor é que uma comissão acabe monopolizando o debate político com novos escândalos e revelações negativas, desviando o foco da agenda econômica e eleitoral. “Isso tira o foco das realizações que o governante quer apresentar”, afirmou. Ainda assim, Grin avaliou que, neste momento, quem mais teme o aprofundamento das investigações é Flávio Bolsonaro. “Hoje quem mais teme qualquer tipo de investigação é ele”, disse.

O escândalo pode definir a eleição de 2026?

Questionado pelo editor José Benedito da Silva sobre o peso eleitoral do caso Banco Master, Eduardo Grin afirmou que corrupção não será o único tema decisivo da disputa, mas terá impacto relevante, especialmente sobre o eleitorado conservador. “Eu não tenho a menor dúvida de que o caso Master vai seguir trazendo muitas informações daqui até outubro”, afirmou. Segundo ele, temas como inflação, segurança pública e economia continuarão ocupando espaço central na campanha presidencial. Ao mesmo tempo, o cientista político ressaltou que a corrupção permanece como um assunto especialmente sensível para os eleitores de direita. “Para o eleitor de direita, corrupção adquire mais significado”, disse.

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As explicações de Flávio convenceram o eleitor?

Eduardo Grin afirmou que a estratégia de defesa adotada por Flávio até agora não conseguiu neutralizar os danos políticos do escândalo. Segundo ele, o senador tentou sustentar que o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro teria ocorrido exclusivamente com dinheiro privado, mas essa narrativa enfrenta dificuldades diante das investigações envolvendo Vorcaro. “As explicações dadas por ele e pela campanha são completamente insuficientes”, afirmou. O professor da FGV destacou que o eleitorado moderado tende a observar o caso com maior desconfiança. Segundo o cientista político, o episódio pode acabar influenciando principalmente os chamados eleitores independentes, que hoje não demonstram forte identificação nem com Lula nem com o bolsonarismo.

O Centrão começou a abandonar Flávio Bolsonaro?

Marcela Rahal citou durante a entrevista uma declaração do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que afirmou que Flávio deve ser investigado e punido caso seja considerado culpado. Para Eduardo Grin, o gesto revela o início de um movimento de distanciamento político dentro da própria direita. Segundo ele, o avanço das investigações começa a tornar Flávio um candidato politicamente mais arriscado para aliados do Centrão. “Isso tudo morreu. Ciro Nogueira hoje é uma figura descartada dentro do bolsonarismo”, disse. Grin afirmou ainda que o aprofundamento do escândalo tende a ampliar o isolamento político do senador. “O principal prejudicado, politicamente falando, é o Flávio”, afirmou.

A crise pode inviabilizar alianças da direita?

Na avaliação do professor da FGV, o desgaste provocado pelo caso Banco Master ameaça diretamente a capacidade de Flávio Bolsonaro de construir alianças competitivas para a eleição presidencial. “Quem vai ser o vice na chapa?”, questionou. Segundo ele, partidos do centrão tendem a evitar associação com candidaturas consideradas excessivamente vulneráveis. “São atores racionais. Não querem estar próximos de alguém que pode lhes tirar voto”, afirmou. Para Grin, a declaração pública de Ciro Nogueira foi também um recado político ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “É um recado pro Bolsonaro: nessa toada você não vai ter apoio do Centrão”, disse.

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