Demora em encontro presencial entre Lula e Trump esfria relação bilateral, apontam diplomatas
A demora para a realização de uma reunião presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente prevista para meados de março, reduziu significativamente o espaço de interlocução direta entre os dois mandatários, conforme avaliação de diplomatas brasileiros e norte-americanos.
"Química esfriou" e ala ideológica ganha força
Na análise de integrantes do Itamaraty, o distanciamento prolongado fez com que a "química esfriasse" entre os governos, abrindo espaço para que a ala ideológica do governo norte-americano voltasse a ganhar força na definição de políticas relacionadas ao Brasil.
Funcionários do governo Trump afirmam, sob reserva, que nomes como Marco Rubio, secretário de Estado, e Darren Beattie, assessor de Trump para políticas brasileiras — que chegou a solicitar uma visita a Jair Bolsonaro — estão conseguindo emplacar pautas ligadas à família Bolsonaro dentro da administração americana.
Bons resultados de Flávio Bolsonaro influenciam estratégia
Segundo esses interlocutores, os bons resultados de Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais têm chegado regularmente a esses integrantes da equipe de Trump e reforçado a estratégia de aproximação com setores bolsonaristas.
Diante do fracasso da política de tarifas conhecida como "tarifaço", essa ala ideológica passou a investir com mais intensidade no tema da segurança pública como ponto central da agenda bilateral.
Governo brasileiro prepara reação nas redes sociais
No governo brasileiro, a avaliação é de que é preciso reagir prontamente. Integrantes do Planalto manifestam desconforto com a narrativa que vem ganhando força nas redes sociais, sugerindo que o governo Lula defenderia facções criminosas como o PCC e o CV.
A área de comunicação prepara uma mobilização nas redes sociais — novamente com o mote da soberania nacional — para explicar de forma didática como esse debate pode afetar diretamente a soberania do país.
Enquanto isso, o Brasil continua aguardando a redução das tarifas de importação sobre seus produtos pelos Estados Unidos, um ponto crucial nas negociações econômicas entre as duas nações.



