Cuba em colapso total: reportagem revela crise humanitária sem precedentes
A ilha de Cuba, outrora símbolo da revolução socialista, encontra-se hoje em estado de falência completa, conforme revela uma extensa reportagem que percorreu o país durante uma semana. O cenário é de desolação absoluta: ruas sujas, apagões constantes, escassez generalizada e uma população que perdeu toda esperança no futuro.
Breu e lixo nas ruas da capital
Ao sair do aeroporto de Havana, o visitante é imediatamente confrontado com a realidade sombria da ilha. As ruas mal iluminadas contrastam com os cartazes turísticos amarelados do terminal aéreo. Faróis de poucos carros e o brilho de celulares nas calçadas são as únicas fontes de luz em meio ao breu noturno, enquanto montanhas de lixo se acumulam por toda parte devido à interrupção completa dos serviços de coleta.
A crise energética atingiu níveis catastróficos desde que os Estados Unidos depuseram Nicolás Maduro na Venezuela em janeiro de 2026 e cortaram totalmente as entregas de petróleo. Cuba, dependente de importações para suprir boa parte do combustível que consome, viu seu já frágil sistema entrar em colapso acelerado.
Sistema de saúde em ruínas
Um dos pilares históricos da revolução cubana, o sistema universal de saúde que já foi considerado modelo internacional, hoje mal consegue oferecer o básico. No Hospital Materno Ramón González Coro, em Havana, as luzes permanecem apagadas durante o dia, com energia sendo canalizada apenas para equipamentos críticos como respiradores.
Ambulâncias ficam estacionadas por falta de combustível, enquanto a produção de medicamentos parou completamente devido à escassez de insumos importados. Estima-se que apenas 3% da população consegue obter remédios nas farmácias estatais, segundo análise do Observatório Cubano de Direitos Humanos.
"Praticamos uma medicina de guerra", desabafou a oncologista Raiza Ruiz. "Temos que escolher quem recebe anestesia ou não", completou uma médica em outro hospital, onde os laboratórios funcionam apenas três dias por semana.
Escassez alimentar atinge níveis dramáticos
O desabastecimento nas bodegas estatais, onde a população adquire itens básicos em sistema de racionamento, atingiu dimensões alarmantes. Prateleiras vazias são a regra, com produtos desaparecendo rapidamente quando eventualmente chegam.
A inflação bate em 10% e a cotação do dólar americano atingiu recorde de mais de 400 pesos no mercado informal, corroendo completamente o poder de compra da população. Segundo o Programa de Monitoramento Alimentar, aposentados precisariam de quase 100 dólares mensais para garantir alimentação decente - valor impensável na realidade cubana atual.
O Unicef estima que um décimo das crianças na ilha vive em condições de "grave insegurança alimentar", enquanto o Observatório Cubano de Direitos Humanos avalia que sete em cada dez habitantes já deixaram de fazer três refeições diárias.
Fuga em massa e envelhecimento populacional
De 2021 para cá, a população cubana encolheu de 11,2 milhões para 8,6 milhões, principalmente devido à emigração em massa. Cerca de 80% dos que deixam o país têm entre 15 e 59 anos, transformando Cuba no país mais envelhecido das Américas - um quarto dos que permanecem tem mais de 60 anos.
"Todos os cubanos pensam em ir embora. Se pudesse me mudar para o Irã, eu iria", confessou Marisol, 28 anos, sentada na varanda de sua casa às escuras, exemplificando o desespero generalizado.
Protestos crescem enquanto regime se enfraquece
Em meio à insatisfação crescente, o número de protestos documentados pela organização Cubalex subiu de trinta em janeiro para 130 na primeira quinzena de março. Em Morón, no centro do país, manifestantes saquearam e depredaram a sede do Partido Comunista em raro ataque direto a símbolo do regime.
A presença policial tornou-se maciça e ostensiva, especialmente em atos como o recente de alunos da Universidade de Havana, que se reuniram para pedir melhores condições de ensino. "Não somos uma organização política. Só queremos uma solução para continuar os estudos", afirmou Ian, estudante de letras de 22 anos.
Intervenção americana no horizonte
A apenas 145 quilômetros da Flórida, a ilha comunista está na mira do governo americano para uma possível intervenção radical. Donald Trump já declarou que será dele "a honra" de "tomar conta" de Cuba, após décadas de presidentes americanos tratando a questão com cautela.
À frente do projeto está o secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, que estaria negociando com figuras das novas gerações da família Castro rumos para o país caribenho. Entre os interlocutores citados estão Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto e braço direito de Raúl Castro, e Oscar Pérez-Oliva Fraga, sobrinho-neto de Fidel e atual ministro do Comércio Exterior.
Medidas desesperadas do governo
Diante do colapso, o governo cubano tomou medidas inéditas, incluindo permitir que empresas particulares comprem combustível diretamente - contornando o monopólio estatal - e autorizar cubanos residentes no exterior a abrir negócios e investir em infraestrutura na ilha.
Essas medidas representam uma ampliação significativa da tímida abertura à iniciativa privada da década de 1990, quando o colapso da União Soviética mergulhou Cuba no famigerado "período especial" - crise que muitos temem estar se repetindo em escala ainda mais dramática.
Futuro incerto para população sofrida
Para os cubanos que permanecem na ilha, premidos pela falta de tudo e prensados entre um governo carcomido e a sombra de intervenção estrangeira, resta apenas a esperança de que a escuridão atual se dissipe. O sentimento predominante é de que a crise atual pode repetir a dose intragável de privação e penúria dos tempos mais sombrios da história recente cubana.
"Espero que muitas coisas mudem, não porque o governo americano está pressionando, mas porque os cubanos querem mudanças para viver melhor", resumiu o premiado escritor Leonardo Padura, expressando o desejo generalizado de transformação que une diferentes gerações na ilha em colapso.



