Casal de Itapetininga relata pânico no Kuwait e pede repatriação urgente ao Brasil
Casal de Itapetininga pede repatriação urgente do Kuwait

Um casal de Itapetininga, no interior de São Paulo, está vivendo dias de extrema tensão no Kuwait, país do Oriente Médio que tem sido palco de interceptações de mísseis devido ao conflito militar entre Irã e Estados Unidos. Karine Souza, de 32 anos, e seu marido, o jogador de vôlei profissional José Ademar Monteiro, estão entre aproximadamente 100 brasileiros que aguardam repatriação ao Brasil, em meio a um cenário de pânico generalizado e risco constante.

Situação de alerta máximo e sirenes a todo momento

Karine, que está no Kuwait desde dezembro do ano passado acompanhando o contrato profissional do marido, relatou ao Notícias do Brasil que a situação se tornou crítica nas últimas semanas. "Inicialmente, nós ficamos sabendo dos ataques por meio das redes sociais. Isso tomou uma proporção grande no grupo de brasileiros que participamos por aqui", contou ela. A brasileira descreve que começou a ouvir sirenes tocando repetidamente, com o governo local emitindo comunicados afirmando que se tratavam de testes e pedindo calma à população.

No entanto, a realidade era bem diferente. "No momento da primeira interceptação, chegaram notificações dizendo sobre o que havia acontecido. Até um certo ponto, a sirene era acionada a cada vez que um míssil era interceptado, então, chegou um momento em que um pânico generalizado estava instaurado", explicou Karine. Devido ao alto número de acionamentos, o governo kuwaitiano passou a ativar as sirenes apenas quando destroços atingem áreas civis, mas isso não diminuiu o medo.

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Risco dentro de casa e dificuldades com abrigos

A orientação oficial para estrangeiros como os brasileiros é permanecer em casa, considerado o local mais seguro. Porém, Karine e José enfrentam um obstáculo adicional: eles têm um animal de estimação. "Os bunkers, que são os abrigos no subsolo, não aceitam animais, o que nos impede de irmos para um", lamentou a brasileira. A sensação de segurança dentro de casa foi abalada quando uma criança de 11 anos morreu após destroços de um míssil atingirem a cama onde dormia.

"Ficamos muito desesperados, pois achamos que estávamos seguros em casa, mas não estamos. Corremos risco de vida a todo momento pois, se tiver uma interceptação em cima do nosso prédio, existem chances dos destroços entrarem em casa. É uma situação muito tensa", desabafou Karine. A única saída da residência é para comprar itens básicos de sobrevivência, como água e comida, sempre juntos e levando a cachorrinha, pois não sabem se encontrarão a casa intacta ao retornar.

Pedido formal de repatriação e dificuldades com a embaixada

Diante da situação crítica, os brasileiros que vivem em Salmiya, na província de Hawalli, elaboraram um abaixo-assinado com 100 assinaturas pedindo ao governo brasileiro que custeie o traslado de volta ao Brasil. No entanto, Karine relata dificuldades em estabelecer contato eficiente com a embaixada brasileira no Kuwait. "A embaixada está fazendo posts na internet e pedindo para seguir o canal. Apenas algumas pessoas conseguiram contato com eles, e uma ajuda foi fornecida para conseguir o visto de acesso à Arábia Saudita, mas chegou um momento em que eles não estão conseguindo mais dar conta", afirmou.

A brasileira ainda destacou que a embaixada desativou os comentários em seus perfis oficiais nas redes sociais, dificultando ainda mais a comunicação. A preocupação se estende às famílias no Brasil, que acompanham a situação através das informações compartilhadas pelos próprios brasileiros no Kuwait. Recentemente, uma explosão atingiu a rede de internet na região, deixando o casal sem comunicação por alguns dias, o que aumentou ainda mais a ansiedade.

Posicionamento do Itamaraty e contexto do conflito

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha a situação dos brasileiros no Oriente Médio através de suas 12 embaixadas na região e do Escritório de Representação em Ramala. O Itamaraty afirmou que a Embaixada do Brasil no Kuwait mantém contato com a comunidade brasileira no país, oferecendo assistência consular e informações atualizadas.

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O ministro Mauro Vieira está diretamente envolvido em contatos com nove chanceleres da região para resolver a situação de turistas e passageiros em trânsito. O governo brasileiro também mantém diálogo com autoridades locais para monitorar a segurança e acompanhar a reabertura dos espaços aéreos. Desde junho de 2025, o Itamaraty recomenda que brasileiros não viajem à região e que os que já estão no Oriente Médio busquem maneiras de sair.

O conflito entre Irã e Estados Unidos intensificou-se há pouco mais de dez dias, com o Kuwait interceptando mísseis iranianos devido à presença de bases militares americanas em seu território. Na segunda-feira (9), novos bombardeios do Irã atingiram países vizinhos, incluindo ataques com drones ao Aeroporto Internacional do Kuwait. As forças americanas e israelenses continuam atingindo alvos no Irã, em uma guerra que já entra no décimo primeiro dia.

Esperança e estado de alerta constante

Apesar dos dias de tensão, Karine e José mantêm a esperança de retornar ao Brasil o mais breve possível. "A gente está se mantendo sempre com roupas que já podemos pegar e sair, em estado de alerta o tempo inteiro. Porque à noite é quando acontece a maioria dos ataques, dos bombardeios", relatou Karine. Ela finalizou com um apelo emocionado: "Mas a gente está com muita esperança. Tem uma corrente de oração muito grande e esperamos chegar o mais rápido possível ao nosso país para encontrar as pessoas que amamos".