Austrália concede vistos a jogadoras iranianas após apelo de Trump e protestos
Austrália concede vistos a jogadoras iranianas após apelo de Trump

Austrália concede vistos a jogadoras iranianas após apelo de Trump e protestos internacionais

O governo australiano anunciou nesta segunda-feira (9) a concessão de vistos para cinco jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã, após intensa pressão internacional liderada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão ocorre em meio a um cenário de tensão geopolítica e preocupações com a segurança das atletas.

Contexto da polêmica e intervenção de Trump

A crise começou quando as jogadoras se recusaram a cantar o hino nacional iraniano antes de uma partida da Copa da Ásia, sediada na Austrália. O governo do Irã respondeu classificando a equipe como "traidora em tempos de guerra", gerando temores sobre o retorno das atletas ao país.

Donald Trump entrou publicamente no caso através de sua rede social Truth Social, onde escreveu: "A Austrália está cometendo um terrível erro humanitário ao permitir que a Seleção Nacional Feminina de Futebol do Irã seja forçada a retornar ao Irã, onde muito provavelmente serão mortas". O ex-presidente norte-americano afirmou ter conversado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, sobre o assunto.

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Movimento de torcedores e petição popular

Associações de torcedores iniciaram um movimento pedindo asilo político para toda a equipe iraniana após a eliminação no domingo (8), quando perderam por 2 a 0 para as Filipinas. Durante os jogos, torcedores agitaram a bandeira iraniana anterior a 1979 e gritaram "Salvem nossas meninas!" em demonstração de apoio às atletas.

Mais de 66 mil pessoas assinaram uma petição online exigindo que o governo australiano garantisse a segurança das jogadoras que estavam em Queensland. Segundo relatos, as atletas vinham enviando sinais de socorro durante as partidas e pela janela do hotel onde estavam hospedadas.

Posição das autoridades esportivas

A Associação Internacional de Jogadores de Futebol (FIFPRO) manifestou "sérias preocupações" com a situação da seleção feminina iraniana. Beau Busch, presidente da FIFPRO para Ásia e Oceania, revelou que a organização não conseguiu estabelecer contato com as jogadoras para discutir possíveis pedidos de asilo.

"Não é novidade. Isso vem acontecendo desde que a repressão se intensificou em fevereiro e janeiro", afirmou Busch aos repórteres, destacando os esforços conjuntos com FIFA, Confederação Asiática de Futebol e governo australiano para proteger as atletas.

Reação iraniana e contradições

Na mídia estatal iraniana, o comentarista Mohammad Reza Shahbazi descreveu o silêncio das jogadoras durante o hino nacional como "o ápice da desonra", reforçando que "traidores em tempos de guerra devem ser punidos com mais severidade".

Curiosamente, quando as atletas cantaram o hino e prestaram continência antes do jogo contra a Austrália, ativistas de direitos humanos suspeitaram de coerção por parte de agentes governamentais. A técnica Marziyeh Jafari limitou-se a dizer que as jogadoras "estavam ansiosas para retornar" ao Irã.

Contraste político e situação atual

A intervenção de Trump apresenta um contraste marcante com as políticas anti-imigração de seu governo, que deportou centenas de iranianos no ano passado. O Ministro do Interior australiano, Tony Burke, confirmou que outros membros da equipe também seriam bem-vindos a permanecer no país caso desejem.

A situação ocorre em um contexto de guerra no Oriente Médio que mantém grande parte do espaço aéreo da região fechado, complicando ainda mais o retorno das atletas ao Irã. A campanha das iranianas na Copa da Ásia coincidiu com ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, aumentando as tensões geopolíticas.

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